Mais do que nunca a The Economist tem razão!
Mais do que nunca a revista The Economist que considerou em reportagem, ainda em fevereiro, a prisão do governador afastado do DF, José Roberto Arruda, “incomum em um país onde políticos acusados de corrupção frequentemente nada perdem além de seus mandatos ou sua dignidade — e ainda assim parecem voltar rapidamente” tem razão. A publicação inglesa citou as fotos do R$ 1,5 milhão encontrado em 2002 no comitê de campanha da então pré-candidata à Presidência Roseana Sarney para dizer que, com frequência, imagens revelam escândalos envolvendo políticos, dinheiro e corrupção. Mas que as filmagens em Brasília tiveram um fim surpreendente — a prisão de um governador. A decisão ontem do STF [Supremo Tribunal Federal] de manter Arruda preso confirma isso.
Aliás, é bom que se diga que no dia 4 de setembro de 2006, no auge da eleição para o governo do Distrito Federal, José Roberto Arruda encaminhou-se até o escritório do delegado aposentado Durval Barbosa, então secretário do governo e seu coordenador de campanha. Num lapso de 23 minutos e 45 segundos, com o equipamento de gravação de vídeo do ladino Durval e a desfaçatez de Arruda, produziu-se o primeiro capítulo da mais devastadora peça de corrupção já registrada na história do país, conforme matéria recente da revista Veja. Até o início da crise, o ex-delegado era secretário de Relações Institucionais – uma espécie de embaixador da corrupção do governo de Brasília. Cabia à turma dele coordenar as fraudes nas licitações do governo, achacar os fornecedores e repassar o butim a Arruda e Paulo Octávio, distribuindo o restante da propina aos deputados da base aliada na Câmara Legislativa do DF.
A prisão do governador José Roberto Arruda serve de exemplo a muitos governantes que dilapidam o patrimônio público praticando corrupção. Infelizmente sabe-se que existe essa prática nefasta, mas não se pode provar. A corrupção não passa recebido e muito menos há investigação. Quando um caso desse vem à tona é porque houve interesse contrariado. Daí haver a denúncia. A menos que haja investigação oficial raramente denúncias de corrupção dentro de um governo vem à tona. Contudo, plagiando o presidente Lula, há de se dizer que “nunca na história desse país se combateu tanto a corrupção”.