Os governantes e a necessidade de inaugurar obras em anos eleitorais
O prefeito, governador e presidente da República são eleitos para entre outras coisas fazer as melhorias das cidades, dos estados e, claro, do país. É preciso pra isso, obviamente, fazer obras estruturantes e de preferência que dê visibilidade. São quatro anos que eles têm para num curto período realizar as obras. Na verdade, três, se levarmos em consideração que o primeiro ano de uma administração é só para organizar a casa. Quando o prefeito,governador e presidente são reeleitos, aí sim, eles ganham mais quatro anos para realizar efetivamente as obras.
O problema é que muitas vezes eles deixam tudo para o apagar das luzes. Aí vem as inaugurações, algumas até de obras inacabadas, como é costume no Brasil. No caso específico do Rio Grande do Norte, por exemplo, a governadora Wilma de Faria está com uma agenda cheia de inaugurações para este final de semana por todoo estado. Ela luta contra o tempo, afinal terá que deixar o governo no dia 31 para sair candidata a uma das duas vagas ao Senado a que o estado tem direito.
Certamente todo governante quer mostrar trabalho e nada como inaugurar uma obra, mesmo que esta esteja ainda inacabada. Mas a marca do seu governo estará lá. O que impressiona é que com quase oito anos a frente de um governo a maioria das obras só são deixadas para serem inauguradas às vésperas de uma eleição. O Rio Grande do Norte não é um caso isolado. O comportamento dos governantes é único.
A sociedade precisa acompanhar mais e exigir dos governantes que estabeleçam um cronograma de obras e que se cumpra isso não apenas em anos eleitorais, mas durante o decorrer de todo o mandato. Inaugurar obras em véspera de eleições rende votos, mas melhor seria para o cidadão que paga seus impostos ver estas obras concluídas dentro de um prazo pré-estabelecido e não porque é ano eleitoral e o governante da hora quer mostrar serviço.
É bom não esquecer que o governador de São Paulo, José Serra, provável candidato tucano à Presidência da Repúblia nas eleições deste ano, inaugurou uma ponte que liga Santos ao Guarujá, ainda na sua maquete. O impossível acontece!