O caso Lina, e a importância do xale
Nos últimos dias a imprensa tupiniquim tem dado grande destaque ao depoimento da ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira, ocorrido na semana passada na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça] do Senado, em que ela reafirmou o encontro com a ministra Dilma Ruosseff [Casa Civil] onde Dilma teria pedido que agilizasse o processo contra o filho do presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP), empresário Fernando Sarney.
Fora o que já dissera à imprensa, Lina não soube dizer na CCJ, no entanto, qual o dia e a hora em que ocorreu o encontro. E mais: Disse não ter sentido nenhuma pressão no que a ministra lhe pediu. Disse ainda que a própria Justiça já havia solicitado a Receita a agilização no processo. E que o que mais lhe chamou a atenção no encontro foi o xale que a minsitra usava. Não soube dizer detalhes de seu gabinete – da minsitra, no caso – após ser indagada pelo senador José Agripino Maia (DEM-RN) se sabia dizer o que tinha no gabinete da ministra.
O fato é que o PiG [Partido da Imprensa Golpista] a cada dia que passa trama contra o governo Lula e por sua vez contra a ministra Dilma Ruosseff na tentativa de desconstruir a sua candidatura ao Palácio do Planalto. Vejamos: Na semana passada o jornalista Cláudio Humberto, em seu site, disse que uma “fonte do governo revelou a esta coluna que a ministra Dilma Rousseff [Casa Civil] não pretendia “ajudar”, mas, sim, prejudicar a candidatura de José Sarney a presidente do Senado, quando mandou a então secretária da Receita Federal Lina Vieira “agilizar” investigações nas empresas de Sarney. Eram os últimos dias da campanha no Senado, no final de 2008, e Lula sofria forte pressão do PT para apoiar Tião Viana (AC). “Apressando” as investigações, talvez a Receita descobrisse algo devastador contra Sarney, que naqueles dias ainda hesitava em assumir a candidatura”.
Ontem, o jornalista Ricardo Noblat afirmou em seu blog que ” orientada por advogados, Lina se valeu do verbo “agilizar” para escapar de ser processada. Com toda a certeza seria se tivesse afirmado que Dilma lhe pedira para por um ponto final nas investigações. Era a palavra dela contra a palavra de Dilma. Não houve testemunhas do encontro. Lina se arriscaria a ser processada duplamente: por denunciação caluniosa contra Dilma e por não ter revelado na época que Dilma prevaricara ao lhe cobrar ajuda para facilitar a vida de um aliado do governo”.
Já Luís Nassif – um dos mais sérios e competentes jornalistas deste país – revelou que a “trama” para detonar a ministra Dilma Ruosseff foi elaborada numa reunião entre tucanos ee demos, e cita a importância do senador José Agripino Maia nisso tudo. Segundo Nassiff “a grande ligação de Lina Vieira é com seu conterrâneo José Agripino, senador pelo Rio Grande do Norte. A prefeita de Natal é do PV, mas criatura de Agripino. Aliás, a prefeitura é das poucas bases do DEM no Nordeste. E é de lá que sai o contrato de publicidade com a família de Lina Vieira. José Agripino foi o principal articulador, dentro do DEM, da ofensiva contra o senador José Sarney e, depois, contra Dilma Rousseff, em cima do episódio Lina” e cita os episódios seguintes:
2. A matéria da Folha, que deflagrou essa crise.
É de, 9 de agosto, domingo. Para sair domingo, possivelmente foi preparada entre 5 e 7 de agosto.
3. Reunião com Serra.
No dia 3 de agosto o Twitter do senador Agripino dá conta de uma relevante reunião em São Paulo, com o governador José Serra. Relevante por ter juntado o líder do PSDB no Senado, Sérgio Guerra, mais seu braço-direito para ações no Parlamento, Alberto Goldmann, mais os DEM Rodrigo Maia e ACM Neto.
De onde se conclui que a ex-secretária do fisco foi usada inocentemente pela oposição para queimar a ministra Dilma Ruosseff. Por que é que o PiG não deu destaque ao fato da Justiça ter solicitado a agilidade no processo contra Fernando Sarney, e só destacar o que Lina disse? Por que é que o PiG não deu destaque ao fato de Lina não saber a hora e o dia em que teve essa reunião com Dilma, que ela mesmo falou que foi uma coisa muito rápida? Ora, se a reunião tinha tanta importância assim, como a imprensa golpista está dizendo, não poderia ser um encontro tão rápido a ponto de Lina só se lembrar do xale que a ministra estava usando. Por que é que a imprensa golpista não deu destaque ao fato de Lina ter dito que não interpretou o pedido da ministra como se ela estivesse sendo pressionada?
Enfim, talvez mais “importante” aí tivesse sido a lembrança do xale da ministra. Disso Lina lembrou ao ser indagada por Agripino sobre o que ela lembrava do encontro com Dilma.