Dois pesos e duas medidas na cobertura da Globo
Não precisa nem dizer que a coberturaq que a Globo fez das convenções do PSDB, no sábado, que homologou a candidatura do tucano José Serrsa à Presidência da República, e do PT, no domingo, que homologou por sua vez a candidartura da ex-ministra Dilma Ruosseff à sucessão presidencial teve conotações diferentes. E não estou falando aqui do tempo não, pois o espaço foi o mesmo para as duas candidaturas. Talvez até porque os petistas tenham reclamado o pouco espaço dado a Dilma no Jornal Nacional, no sábado. Mas não quero me deter neste mérito não.
Falo da reportagem em si. A repórter da Globo ao destacar o pronunciamento de Dilma Ruosseff, por exemplo, deu ênfase a que a ex-ministra do governo Lula era uma ex-guerrilheira e que pertencia a um grupo que defendia a luta armada contra a ditadura militar. Ela iniciou sua reportagem falando isso. Claro, depois falou como Dilma entrou para a política partidária se filiando primeiro ao PDT, de Leonel Brizola cuja Globo detestava. Depois falou sobre a sua trajetória no governo Lula.
Será que a repórter não foi orientada a dá ênfase a que Dilma Ruosseff pertcenceu a um grupo que defendia a luta armada ? O horário era propício pra isso, afinal a matéria foi jogada ao ar no noticiário do Fantástico, programa que atinge a massa popular. Certamente que foi. Não que Dilma Ruosseff não tenha pertencido a um grupo de esquerda que defendia a luta armada, mas a ex-ministra afirmou e já reafirmou que nunca pegou em arma. Mas a Globo, claro, quer jogar pra população que ela – Dilma – é uma ex-guerrilheira e que usou arma.
Infelizmente a Globo usa dois pesos e duas medidas na sua cobertura jornalística quanto aos presidenciáveis. A emissora da família Marinho dá sinais de que vai repetir o que ocorreu na primeira disputa de Lula à Presidência da República, quando disputou e perdeu a eleição para Fernando Collor de Mello. Mas ainda bem que a população está vacinada quanto a isso.