A resposta do TSE as artimanhas dos partidos
A decisão do TSE [Tribunal Superior Eleitoral] de coibir a participação tanto do presidente Lula quanto dos candidatos à Presidência em campanhas eletrônicas de candidatos a governador de suas bases, que nos estados estão coligados com legendas que têm outro candidato a presidente, nada mais é do que uma resposta da Justiça Eleitoral às direções partidárias que usam da artimanha para proteger seus interesses eleitorais, evitando uma verticalização do processo sucessório.
O TSE assim provoca uma discussão quanto o dever de se manter a verticalização quando da eleição Presidencial. Hoje, o que existe de fato é uma verdadeira colcha de retalhos, onde os Partidos nos estados se coligam como bem entendem não respeitando o plano nacional. Ou seja: Partido A pode se coligar com partido B em seu estado mesmo apoiando a nível nacional o candidato a presidente da sua legenda que não é o do Partido B. Isso dificulta até mesmo o entendimento do eleitor.
Como pode o Partido A defender propostas diferente do seu candidato a presidente da República em seu estado? Um exemplo disso é o PPS no Rio Grande do Norte. No plano nacional o PPS defende a candidatura do tucano José Serra e na eleição estadual apóia o governador Iberê Ferreira de Souza (PSB), candidato a reeleição. Outro exemplo:A prefeita de Natal Micarla de Souza (PV), cujo Partido tem candidata própria à Presidência da República, senadora Marina Silva (AC), fez coligação branca com o PMDB e o PR no Rio Grande do Norte e apóia para o governo do estado a senadora Rosalba Ciarlini (DEM).
Volta a pergunta: No caso do PPS qual proposta de governo o Partido defende? A de Serra que apóia para presidente, ou a de Iberê, que tem a seu lado a ex-ministra Dilma Ruosseff (PT), candidata a sucessão de Lula? E o caso de Micarla é pior ainda. Seu partido tem candidatura própria à Presidência da República com propostas totalmente diferentes da de Serra, cuja candidata que ela apóia no RN – Rosalba Ciarlini – defende a candidatura de Serra.
Sendo assim, o TSE foi no X da questão. Ou os Partidos começam a se portar como verdadeiras legendas políticas-partidárias, defendendo as propostas de seus candidatos a presidente, no caso da eleição Presidencial, que é casada com as eleições estaduais, ou a cada eleição se terá um formato para as campanhas. Daí ser importante e urgente a tão propalada Reforma Política Eleitoral.