Serra, Rosalba e as “muletas”
Confirmada a presença do presidenciável tucano José Serra em Natal (RN) na quinta-feira (26), é hora de se cobrar uma postura, digamos, mais enfática do apoio da governadorável Rosalba Ciarilini (DEM) à sua candidatura. Pressões existem, todos sabem, inclusive, grana tucana para a campanha democrática também depende disso. Única candidata do DEM em condições de se eleger já no primeiro turno, Rosalba, cujo partido indicou o vice de Serra – deputado Índio da Costa (RJ) – começa a assumir a candidatura tucana mas muito timidamente. Aqui e acolá numa entrevista ela diz que apóia Serra, mas não apareceu em nenhum material de campanha para distribuição aos eleitores ladeada por ele.
É certo dizer que por isso seu discurso é que não se deve nacionaliar a campanha. Rosalba prefere falar dos problemas que o estado enfrenta a ter que dizer que defende a mudança com José Serra presidente do Brasil. Já disse que não precisa de “muletas” para se apresentar ao eleitorado do Rio Grande do Norte como candidata a governadora, numa clara alusão aos seus dois principais adversários – o governador Iberê Ferreira de Souza (PSB), candidato a reeleição, e o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT), este também candidato a governador que falam no presidente Lula e na candidata a presidenta Dilma Ruosseff (PT) em seus programas eleitorais -, mas, parece que ao contrário do que ela afirma, os tucanos estão cobrando sim as “muletas”.
Diferentemente de Rosalba, Serra, por exemplo, parece que precisa de “muleta” para desancar sua candidatura. E o pior, “muleta emprestada”. A Folha diz hoje que apesar da reação de tucanos e aliados, está mantida a linha de comunicação da campanha de José Serra à Presidência, incluindo o eventual uso de imagens do presidente Lula na TV.
Já o Correio Braziliense afirma que o comando da campanha do PSDB à Presidência da República definiu como prioridade para as próximas semanas garantir os votos nos estados em que há chances claras de candidatos aliados se elegerem governadores. Assim, José Serra reforçará a agenda no Paraná, no Pará, em Goiás e em São Paulo, considerados as trincheiras mais fortes da oposição nas eleições de outubro. A ideia é tentar estancar a queda de Serra nas últimas pesquisas, amparando o presidenciável em candidaturas regionais bem avaliadas pelo eleitor. Pela estratégia tucana, os candidatos aos governos serviriam de motor para alavancar Serra nessas regiões.
– Nos locais em que existe uma rejeição maior ao presidente Lula há a chance de crescermos. O Lula foi ao Paraná, por exemplo, e o Osmar Dias (candidato do PDT ao governo paranaense) caiu 10 pontos. Ganharam Beto Richa (adversário tucano de Osmar) e o Serra”, aponta o coordenador da campanha tucana, o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE).
Claro está que como Rosalba Ciarlini está bem avaliada nas pesquisas de intenção de voto, o comando tucano da campanha serrista vai também investir no eleitorado do Rio Grande do Norte. Só que no estado Dilma está a frente nas pesquisas de intenção de voto e o presidente Lula é muito bem avaliado pelo norte-riograndense. Se o comando da campanha de Serra pensa que Rosalba pode servir de “muleta” para ele, certamente está errado. O pior é que a vinda de Serra a Natal pode ter efeito contrário para a candidata do DEM por ser obrigada a assumir de público que apóia o tucano. O resultado dessa visita certamente será retratada em pesquisas eleitorais. A conferir!