31 de março de 64. Uma data pra ser esquecida
Outro dia a Folha publicou uma reportagem – republicada neste espaço – dizendo que o Exército retirou do seu calendário oficial a comemoração do dia 31 de março, que marca o início da ditadura militar (1964-1985). Até novembro do ano passado, a “data comemorativa” ainda constava do portal do Exército na internet.
Pois muito bem. A posição dos militares está correta. Uma data tão triste só merece ser esquecida pelos brasileiros. Como comemorar uma data que só lembra a repressão? Como comemorar uma data que ceifou a vida de muitos irmãos? Como comemorar uma data que censurou a imprensa? Como comemorar uma data onde a liberdade de expressão deixou de existir?
Só mesmo os incautos para pensar que a ditadura militar merece ser comemorada. Esqueçamos essa data – 31 de março de 1964 – que na verdade acabou durando longos 21 anos. Passemos uma borracha nesse período negro da história repúblicana do Brasil.
Podemos até citar a data como um fato marcadamente negro na história do Brasil, mas daí a comemorar lá se vai uma grande distância. A não ser os Jair Bolsonaro da vida que costumam achar que a ditadura militar foi um grande bem para os brasileiros.
Não, ditadura nunca mais. Que março de 1964 seja apenas uma vaga lembrança e sirva apenas para contar a história deste país, mas sem comemorações porque motivos não há. O próprio Exército brasileiro já reconhece isso.
O jornalista Cezar Brito, do Congresso em Foco, lembra que “quarenta e sete anos depois do golpe militar, o Brasil vive em pleno regime democrático. Hoje é presidido por uma mulher que foi perseguida, presa e condenada por aqueles que faziam a ditadura. Mas nem tudo está consolidado”.
É verdade, mas pelo menos a redemocratização do país está consolidada. Disso ninguém pode duvidar.