Vergonha de ser jornalista, NÃO! Vergonha de ser explorado, SIM !
Me sinto no dever como jornalista de dedicar hoje o editorial deste blog aos companheiros de profissão. Profissão essa já tão “acanalhada” com a dispensa do diploma acadêmico.
Os jornalistas do Rio Grande do Norte estão de luto, e com razão. Fazemos parte de um estado onde os profissionais da imprensa têm a pior remuneração no país, onde o salário base é de apenas R$ 900,00. Os empresários do setor de Comunicação querem dar um reajuste de apenas 3,50%, proposta essa que não repõe sequer a inflação do período. Ou seja, as empresas, principalmente os jornais, querem tirar o prejuízo pelas baixas nas vendas descontando no mísero salário dos jornalistas.
A categoria quer aumentar o salário-base para R$ 1.500,00, assim mesmo continuaria o mais baixo do país, mas os exploradores não aceitam e ainda querem tirar algumas conquistas da categoria como o fim do piso salarial, o fim das diárias, transformando em hora extra com o pomposo nome de “adicional de viagem”, e ainda propõem que as empresas só custeem advogados para defender os jornalistas em caso de processo se a reportagem for autorizada expressamente e por escrito pela direção do veículo. Não querendo mais nada, os exploradores também propõem que o acordo a ser feito com a categoria tenha validade de dois anos.
Não tenho vergonha de ser jornalista. Tenho vergonha sim de ver a minha categoria ser explorada. Se fala muito que jornalista tem vários empregos. Mas claro, para sobreviver tem que ser assim. Com um salário-base de R$ 900,00, sem levar em consideração os descontos, quem pode ter só um emprego? Que o digam os médicos.
Condenar o jornalista porque faz uma assessoria de imprensa é porque não sabe a dura realidade que é trabalhar numa Redação. Se o jornalista apela para uma assessoria é porque os jornais, Rádios e Televisão neste estado remuneram mal o profissional de imprensa.
Dizer que jornalista tal é comprometido porque assessora um político, por exemplo, é porque não conhece a exploração das empresas de Comunicação neste estado. Seria ótimo que os jornais, Rádios e Televisões do Rio Grande do Norte pudessem ter exclusividade sobre o trabalho dos profissionais de imprensa. Mas como, se o que pagam é uma miserabilidade.
Daí, nenhum, absolutamente nenhum órgão de imprensa neste estado ter independência e linha editorial isenta. E por que isso ocorre. Porque, em primeiro lugar, vivem as custas da publicidade oficial e, em segundo lugar remuneram péssimamente seus profissionais que muitas vezes têm que recorrer a uma assessoria de imprensa seja ela de políticos ou de empresas. Já vi muito editor de Política ou de Economia assessorar um político ou um empresário. Não os culpo. O maior culpado disso são os exploradores donos de empresas jornalísticas que não remuneram bem seus profissionais. Eu mesmo fui um deles, confesso, quando trabalhei nos jornais Diário de Natal e o extinto JH Primeira Edição. Se fosse viver só do salário dos jornais minha família, certamente, passaria fome.
Seria bom saber, por exemplo, se um dono de jornal que é jornalista, e aqui no Rio Grande do Norte se tem exemplos, se eles sobreviveriam com um salário de R$ 900,00, se é que se pode chamar isso de salário.
Por isso, estou solidário a categoria e na LUTA em defesa de melhores salários e condições de trabalho dignas da profissão de jornalista.