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Editorial

Henrique e a presidência da Câmara

Encerrada a eleição que levou a ex-ministra Dilma Ruosseff (PT) à Presidência da República, agora teremos os reflexos desta eleição, a começar pela distribuição de cargos no governo e, claro, a presidência das duas casas no Congresso Nacional – Senado e Câmara.

É bom que se diga que o PMDB também saiu fortalecido com a eleição de Dilma, afinal o seu vice é Michel Temer (SP), e diferentemente de Marco Maciel e José Alencar, que foram extremamente leais respectivamente a Fernando Henrique Cardoso e a Lula, a expectativa é de que Temer seja um vice em que a presidente Dilma Rousseff vá confiar, mas desconfiando. Ele é presidente do maior partido do país, exerce inequívoca liderança no Congresso e tem personalidade política e pessoal mais forte do que seus antecessores. Com seis mandatos consecutivos na Câmara desde 1987, Temer será um intermediador dos interesses do PMDB no novo governo. O preenchimento do primeiro escalão passa por ele.

E digo mais: Quanto ao Senado a presidência deve caber mesmo aos peemedebistas, mais provavelmente Renan Calheiros (AL). Na Câmara existe uma “briga” entre petistas e peemedebistas, mas já foi acordado o revezamento que desta vez caberia ao PMDB presidir a Casa para o próximo biênio. Neste caso o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) é a bola da vez, se tudo ocorrer dentro do “combinado”.

No entanto o líder do governo na Câmara, Cândido Vacarezza (SP), que figura como o nome do PT para a disputa da presidência da Casa,  disse ainda na eleição para a sucessão do presidente Lula não existir ainda nenhuma discussão nesse sentido.

– Temos que ver quem vai fazer a maior bancada. A base do governo, se a Dilma ganhar, terá um bloco forte que é o PMDB, terá outro bloco forte que é o PT, e outro bloco de esquerda formado pelo PSB, PC do B e PDT. Vamos ter mais o PR , o PP e o PTB. As pessoas estão antecipando muito a disputa entre Henrique Eduardo Alves (PMDB) e eu. Já aviso que entre mim e ele não terá disputa nenhuma. E ainda não sou o nome escolhido pelo PT.

Vacarezza, é bom que se diga, fez essa declaração antes mesmo de se conhecer os deputados eleitos. Abertas as urnas ainda no primeiro turno verificou-se que o PT fez a maior bancada na Câmara, superando o PMDB que detinha até então a maioria na Casa.

Daí a coisa não ser tão fácil de ser resolvida assim. Vai requerer muita conversa para que Henrique seja alçado presidente da Câmara dos Deputados. Mas, como disse, o PMDB também saiu fortalecido desta eleição e Michel Temer não será um mero vice. Com a força que seu partido tem, é possível sim Henrique ser o novo presidente da Câmara. A conferir!

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