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Editorial

Por que os donos da A&G falam com tanta convicção em propina?

O casal Anderson Miguel e Jane Alves, sócios da A&G, empresa prestadora de serviços envolvida no escândalo que ficou conhecido como Operação Hígia – que significa “Deusa da saúde, limpeza e sanidade” -, na Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Norte, no governo Wilma de Faria (PSB), me parece estar convicto em seus depoimentos à Justiça sobre o pagamento de propina a familiares da ex-governadora para que sua empresa se mantivesse prestando serviços à Saúde estadual.

Senão vejamos: Nos seus depoimentos ao juiz titular da 2ª Vara Federal Mário Jambo, que cuida do caso, ambos falaram num esquema de pagamento de propina e citaram nomes, entre os quais um irmão da ex-governadora, Fernando Faria, e dois filhos seus, Lauro Maia e Ana Cristina, e ainda disseram como funcionava a operação. Citaram também um ex-prefeito, dois ex-auxiliares do governo e um jornalista. E por que tal convicção nas declarações prestadas em juízo? Por que Anderson Miguel, por exemplo, aceitou a delação premiada? Por que ele – Anderson – fez questão de livrar uma servidora da Secretaria de Saúde – Eleonora Castim – das acusações que estão sendo imputadas também a ela? Certamente ele – Anderson – sabia como funcionava o esquema a qual a servidora não tinha nenhuma participação.

O fato é que uma empresa envolvida num escândalo onde se tinha um esquema de licitações fraudulentas onde foram desviados R$ 36 milhões dos cofres públicos e que foi desbaratado pela Polícia Federal no dia 13 de junho de 2008, certamente se não tivesse algo mais por trás teria deixado de trabalhar para o governo.

No dia 19 de fevereiro de 2009 foi postado aqui neste espaço uma matéria que dizia que a mesma empresa, investigada pela PF e que o Ministério Público Federal recomendou o cancelamento do contrato por envolvimento num suposto esquema de fraudes em licitação na Secretaria Estadual de Saúde do governo do Rio Grande do Norte, continuava a operar para o governo por determinação da Justiça.

A nota dizia:

– A empresa, que tem como dona a empresária Jane Alves – que inclusive chegou a ser detida pela PF quando da Operação Hígia – presta serviços de higiene e limpeza a hospitais da rede pública no Rio Grande do Norte. E tem mais: Vai haver nova concorrência em abril (de 2009) para a prestação de serviços terceirizados na rede pública hospitalar, e Jane Alves já anda dizendo aos quatro cantos que vai ganhar a concorrência, segundo disse uma fonte, muito bem informada, ao blog.

Ou seja, a A&G mudou apenas de nome, mas continuava a operar para a Secretaria Estadual de Saúde no governo Wilma. Jane Alves, em depoimento à Justiça Federal, confessou que o esquema de propina pago por sua empresa era para formar um caixa 2 para a campanha a reeleição da então governadora Wilma de Faria nas eleições de 2006. Portanto, o novelo começa a se desenrolar e o carretel a aparecer

Obs do blog: O web-leitor que quiser conferir a nota a que me refiro no Editorial é só clicar em Lembram da A&G, empresa envolvida na Operação Higia? [1]

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