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Editorial

Nestes tempos de Natal querem que a gente acredite em Papai Noel

Não quero aqui fazer nenhum pré-julgamento sobre o envolvimento ou não do filho da ex-governadora do Rio Grande do Norte Wilma de Faria (PSB), advogado Lauro Maia, no esquema de fraudes em licitações ocorrido na Secretaria Estadual de Saúde na época em que sua mãe era governadora do estado, que acabou sendo descoberto pelo Ministério Público Federal e que a ação da Polícia Federal denominou de Operação Hígia.

Mas certamente os web-leitores hão de convir que nestes tempos de Natal querem que a gente acredite em Papai Noel. Senão vejamos: Lauro Maia disse em depoimento ao juiz federal Mário Jambo que nunca interferiu nos contratos da Saúde e ao mesmo tempo confessou que conhece João Henrique Lins Bahia, que foi uma espécie de assessor especial do Gabinete Civil do governo Wilma, desde os tempos em que a sua mãe (dona Wilma) era prefeita de Natal. Isso já se vão longos anos. Claro que a convivência fez frutificar uma grande amizade entre os dois e, claro, uma confiança recíproca.

Pois muito bem: Lins Bahia, que também teve o seu nome envolvido na Operação Hígia, inclusive sendo flagrado pela Polícia Federal com uma suposta mala de dinheiro pego numa empresa em João Pessoa (PB), que prestava serviços à Secretaria de Saúde do RN, afirmou em seu depoimento que era um agente político, como um amparo da governadora (Wilma de Faria) e que esta era uma função que nunca mais iria querer ocupar na vida. E por que disse isso? Ora, ora, ora, porque está sendo pressionado a revelar o que sabia dos bastidores do poder, evidentemente.

E disse mais: Quando o magistrado perguntou  quem era o “Filho da Mulher” citado várias vezes nas gravações de áudios investigados na Operação Hígia, Lins Bahia  afirmou que era Lauro Maia. De acordo com as investigações do Ministério Público Federal, Lauro Maia era quem comandava o esquema de fraudes na Secretaria de Saúde.

E sobre outra referência usada nas gravações, “Nosso chefe maior”, João Henrique Lins Bahia disse que era alguém do PSB, mas que não lembrava quem era. Esse alguém só podia ter muita influência a ponto da referência ser “Nosso chefe maior”. Sem querer fazer ilações, mas o chefe maior de um partido político é sempre o presidente, que no caso Wilma de Faria, além de ser governadora do estado era também presidente da legenda.

Outra colocação importante, desta vez feita por Lauro Maia, é que ele afirmou ao juiz federal que na época em que estourou o escândalo ele era assessor parlamentar do deputado Rogério Marinho, hoje no PSDB. Marinho quando estava no PSB foi presidente do diretório municipal do partido em Natal. Um detalhe que pode não ser importante, mas deixa dúvidas sobre o tal “Chefe maior”, dentro do PSB.

Portanto, querem que a gente acredite em Papai Noel!

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