A colega Eliana Lima em seu blog publicou um post no dia 23 de dezembro, republicado aqui neste espaço, dizendo que moradores em áreas de risco (encosta do Parque das Dunas, em Natal) serão relocados para imóveis no valor de R$ 20 mil em locais escolhidos por eles mesmos.(Veja foto ao lado)
Segundo a nota, a remoção fazia parte do projeto Mãe Luiza-Parque das Dunas’, desenvolvido pela Procuradoria Geral do Rio Grande do Norte em parceria com o Ministério Público Estadual.
Dizia ainda o texto que após o pacto, todos teriam 30 dias para desocupar as casas antigas, que após o prazo serão demolidas e a área degradada passará por um trabalho de recuperação. A assinatura do pacto correspondia a última etapa do projeto.
Está próximo de completar 30 dias e confesso que não vi ainda nenhuma movimentação no Morro do Tirol, onde se localiza o Parque das Dunas, sobre a retirada das 76 famílias que lá residem em área de risco. Digo isto porque moro no chamado pé-do-morro, na rua Capitão Abdon Nunes, no Tirol. E do meu edifício dá pra ver as casas de alvenaria ali instaladas, inclusive com energia elétrica. Como ainda faltam seis dias para se esgotar o prazo, darei um crédito.
Em todo caso, se faz merecedor citar o belo artigo escrito por Jânio de Freitas ontem na Folha. Dizia ele que o descaso com a ocupação de áreas de risco pode ser explicado pelo baixo lucro eleitoral de medida preventiva. Segundo o jornalista às vezes, acontece. A natureza desaba fora do lugar e estende os seus desastres a vales e colinas onde as condições prometiam tudo o que atrai as boas construções desejadas pelo poder aquisitivo. Quando acontece assim, a natureza contraria também o consenso que modelou, com o barro de cinco séculos, o nosso jeito brasileiro.
Em determinado trecho de seu artigo ele falava que é certo que prevenir as calamidades da pobreza não dá voto. Mas há lógica em não o fazer. O governante que consente na ocupação de áreas de risco não teria por que voltar-se, em seguida, para a prevenção dos desastres previstos no risco. Seus motivos para o descaso são os mesmos que o poupam de interessar-se por esgotos e saneamento geral das áreas pobres, água tratada, auxílio à saúde, e outras sobras das zonas urbanas de boas classes.
E mais: “O descaso com o modo de vida da pobreza é parte da nossa história de povo e de país. Os aglomerados de moradias por “ocupação de áreas de risco”, e também os de menores ou outros riscos, são continuadores dos aglomerados de ex-escravos. A libertação não significou o fim da visão racista, não incluiu o reconhecimento reparador da pobreza como dever do Estado, não incutiu sentido humano na aventura a que o ex-escravo seria entregue pela libertação. Já era, então, o descaso de hoje.”
Tudo a ver!
Obs do blog: A foto acima foi tirada por mim há cerca de três anos e a situação continua a mesma
