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Editorial

Ideb comprova que sistema de cotas é um erro

O resultado da quarta pesquisa Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) 2011, divulgado nesta terça-feira (14), só faz comprovar que o sistema de cotas para as universidades federais é um erro. Os índices mais comemorados foram os do ensino fundamental, já que o Brasil superou as metas propostas pelo governo federal nos dois ciclos — do 1º ao 5º ano e do 6º ao 9º ano. Nos primeiros anos dessa etapa, a média nacional foi de cinco pontos, superando em 0,4 ponto a nota estipulada pelo MEC. Já no período seguinte, o avanço foi menos significativo: 4,1, 0,2 ponto acima do esperado. O índice do ensino médio alcançou somente a meta projetada de 3,7.

O reconhecimento do equívoco do governo implantando o sistema de cotas nas universidades federais principalmente no que diz respeito as escolas públicas, ficou explícita nas declarações do ministro da Educação Aloizio Mercadante em entrevista ao jornal O Globo.

O ministro reconheceu que as universidades federais terão que criar programas de nivelamento para auxiliar os estudantes que entrarem pelo sistema de cotas. Esse mecanismo serviria para garantir aos alunos conhecimentos necessários para atender as exigências dos cursos. Mercadante afirmou que algumas instituições federais fazem esse nivelamento. Apesar de reconhecer a necessidade de adaptação, disse não crer que destinar 50% das vagas apenas para alunos do ensino público afete o nível dos cursos.

– Temos problemas no ensino médio. É um imenso desafio, não só no Brasil, mas no mundo, disse o ministro.

Ora, se o próprio ministro da Educação reconhece que as federais terão que criar programas de nivelamento para auxiliar os estudantes que entrarem nas universidades pelo sistema de cotas, como não afetar o nível dos cursos? Isso é até uma incoerência. Diga-se de passagem que as universidades são locais de formação e não para se ter aulas de reforço do ensino médio. 

Sempre disse que o sistema de cotas, tanto racial como o da escola pública é uma discriminação e até mesmo uma apartheid. O problema maior não está em não se reservar vagas para negros ou alunos es escolas públicas. O problema está na base comprovado agora pela quarta pesquisa Ideb.

Se o governo quer dar chances a alunos de classes menos favorecidas e que não têm a oportunidade de estudar em escolas privadas, que trate de melhorar o ensino nas escolas da rede pública e isso vale para os negros e brancos, Ou só tem negro que não tem oportunidade de estudar numa escola privada. Há brancos também nestas condições.

A proposta do ministro da Educação Aloizio Mercadante é a prova maior de que o governo ou os governos terão que repensar o ensino na rede pública, sob pena de continuarmos a formar nas universidades profissionais despreparados para o campo de trabalho.

Querer aulas de reforço para cotistas em federais é absurdamente um equívoco e ao mesmo tempo o reconhecimento de um erro que é o sistema de cotas só faz promover o apartheid racial e social em nosso país.

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