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Editorial

Não sei o por que de tanta celeuma em torno do aborto

– Essas são questões naturais, decorrentes de um processo eleitoral. Não devem ser motivo de preocupação. O senhor deve prosseguir sua campanha normalmente e continuar apresentando suas propostas para a população, teria dito o arcebispo de Natal, Dom Jaime Vieira Rocha, ao candidato a prefeito Carlos Eduardo Alves na visita que o pedetista fez à Arquidiocese para entregar o seu plano de governo, segundo consta em release da assessoria do candidato.

Ao esclarecer pontos de seu plano de governo, Carlos Eduardo Alves admitiu que a questão do aborto está sim incluído como um dos itens do programa, na medida em que está prevista a ampliação da oferta dos serviços para a interrupção da gravidez nos casos estabelecidos em lei. Ou seja, quando houver perigo para a vida da mãe ou em caso de estupro, e ainda assim sob autorização judicial, diz o ponto que virou polêmica.

Negou, entretanto, que o programa contenha conteúdos anti-homofóbicos para serem levados às escolas da rede municipal de ensino. Pecou, por isso. Quando o mundo vive um momento em que se observa o crescimento de uma série de atitudes e sentimentos negativos em relação a lésbicas [1]gays [2] e bissexuais [3], seria importante levantar essa bandeira anti-homofóbica. Talvez por se tratar de um tabu que tanto católicos conservadores como evangélicos repudiam o tema, o pedetista não tenha incluído isso como uma das propostas de seu programa de governo.

Ressalte-se, no entanto, que segundo o próprio release da assessoria do candidato, o seu programa de governo foi elaborado com a participação dos mais diversos segmentos da sociedade e, sendo assim, estava aberto a sugestões. Mas certamente neste aspecto o segmento LGBT – Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, não foi contemplado 

O fato é que Carlos Eduardo Alves foi pedir as bênçãos de Dom Jaime para o seu plano de governo, temendo uma repercussão negativa dos católicos diante do que foi colocado pela imprensa na semana passada. Uma celeuma que foi criada pelo candidato e por seus eleitores, quando agora ele – Carlos Eduardo Alves – leva o assunto para conhecimento do arcebispo e o próprio Dom Jaime trata como “questões naturais, decorrentes de um processo eleitoral”.

Ele – Carlos Eduardo Alves – atribuiu a exploração desvirtuada dos assuntos em alguns órgãos de imprensa à tentativa de desgastá-lo junto à opinião pública, motivada por interesses político-eleitorais, segundo ainda o release de sua assessoria.

A bem da verdade, o candidato Carlos Eduardo Alves agora assume perante à Igreja Católica a questão do aborto em seu programa de governo. Isso fica contextualizado quando ele coloca para o arcebispo, conforme o release de sua assessoria, que como cidadão, respeita as opções das pessoas, quer sejam religiosas, sexuais, esportivas, políticas e tem como princípio o combate a toda forma de discriminação.

Se alguém tinha dúvida quanto ao item aborto no programa de governo de Carlos Eduardo Alves, agora não tem mais. Até o arcebispo já foi oficializado sobre o tema que ainda é tabu em nossa sociedade.

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