Aos crédulos eleitores de Natal
Esta semana tenho sido objeto de críticas, e às vezes até comentários maldosos, em virtude de vir publicando Editoriais chamando a atenção dos leitores do blog da necessidade de uma análise mais apurada sobre os candidatos a prefeito de Natal, sob pena de cairmos num “engodo eleitoral”.
Não sei se por ingenuidade ou até mesmo crédulo – aquele que crê facilmente em tudo o que lhe é dito ou mostrado – algumas destas pessoas que têm me criticado, muitas vezes críticas veladas, esquecem ou fingem esquecer que dos candidatos que estão aí, o único a ter experimentado a cadeira de prefeito da capital potiguar foi Carlos Eduardo Alves (PDT). Acusar única e exclusivamente a atual prefeita Micarla de Sousa (PV) pelo caos em que se encontra Natal é um discurso fácil, quando se é sabedor de que a chamada herança maldita, termo muito usado pela classe política, vem de há longos 20 anos.
A deterioração do viaduto do Baldo, por exemplo, construído ainda no governo Lavoisier Maia, ex-marido de Wilma de Faria, e que agora o Ministério Público pede a sua interdição sob pena de desabamento, é culpa única e exclusivamente de Micarla de Sousa, embora a deterioração das estruturas do viaduto tenha sido denunciada no ano de 2010, quando a Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente instaurou Inquérito Civil Público? Não, não é só culpa da administração Micarla de Sousa. A deterioração vem ao longo dos anos.
Outra: A Ponte de Igapó, que também se encontra deteriorada e já foi objeto de denúncia na imprensa, acaso é culpa só de Micarla de Sousa ou também de administrações passadas que nunca providenciaram sua revisão? O próprio estádio João Cláudio de Vasconcelos Machado (Machadão) que foi derrubado para dar lugar a Arena das Dunas nem precisou ser implodido, tal era a precariedade em que se encontrava a sua estrutura.
Aliás, Carlos Eduardo Alves quando prefeito chegou a fazer uma reforma no estádio. Para quem não lembra, a reforma foi objeto de questionamento por parte do Ministério Público Federal, já que os recursos eram oriundos da União. Os procuradores investigaram a falta de economicidade da obra. Na época, o MPF enviou uma recomendação ao prefeito Carlos Eduardo Alves, para que fosse suspensa qualquer liberação de verba federal destinada à reforma do estádio em favor da Construtora A.Gaspar S/A. A verba deveria ficar paralisada até a conclusão final da inspeção que estava sendo feita pelo TCU (Tribunal de Contas da União).
De acordo com os procuradores do Núcleo do Patrimônio Público, que assinaram a recomendação, é dever do gestor público se cercar de todos os cuidados para autorizar a liberação de verba pública principalmente quando envolve grandes quantias. A verba inicial destinada ao Machadão foi de R$ 3,46 milhões, mas no decorrer dos trabalhos identificaram-se diversos outros defeitos, aparentemente não detectados pelas inspeções iniciais, o que elevou o valor da obra para mais que o dobro do previsto.
E o Ginásio Machadinho, construído numa das gestões de Wilma de Faria e que ficou abandonado? Goteiras, piso da quadra soltando, arquibancadas sujas e sem nenhuma conservação. Outro descaso! Carlos Eduardo Alves acabou construindo outro ginásio na zona norte, o Nélio Dias, porque o Machadinho não tinha mais condições de recuperar, tamanho foram os anos de abandono.
Portanto, aos crédulos eleitores de Natal as minhas críticas as gestões passadas e que agora querem voltar ao Poder estão cobertas de razões. Carlos Eduardo Alves faz sua campanha na desastrosa administração Micarla de Sousa, mas esquece de olhar no retrovisor. Chutar “cachorro morto” é muito fácil, pois que Micarla de Sousa não tem o direito de defesa. Cego aquele que não quer enxergar!