- blogdobarbosa - https://blogdobarbosa.jor.br -

Editorial

Apoio não é aliança. E até pode ser, em alguns casos!

Muito se tem falado nos últimos dias sobre o apoio do DEM ao candidato peemedebista a prefeito de Natal, Hermano Morais, agora no segundo turno.  Aliás, um dos argumentos usados pelo PT natalense para não apoiar o peemedebista é que o PMDB é aliado do Democratas no plano estadual. O plano nacional foi deixado de lado. Diz-se que a realidade local é outra.

Devo dizer que apoio não significa aliança. O próprio PT, ao aprovar Resolução de apoio ao candidato novamente a prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT), deixou isso bem claro ao colocar se tratar de um “apoio crítico”, ou seja, com ressalvas e que não irá fazer parte de uma eventual gestão Carlos Eduardo Alves.

É claro que existem apoios que acabam se transformando em alianças, caso de Paulo Maluf, em São Paulo, que levou o seu PP a apoiar o candidato petista Fernando Haddad, ainda no primeiro turno das eleições paulistanas, em troca de cargos no governo Dilma Ruosseff. Mas há outros casos que não se transformaram em aliança. O senador Fernando Collor, por exemplo, apoia o governo Dilma Ruosseff e  não tem nenhum Ministério.

A bem da verdade, ressalte-se, apoios ou alianças essas – Maluf e Collor – criticadas por Carlos Eduardo Alves, a quem o PT de Natal agora apoia, embora o seu partido, o PDT, tenha decidido apoiar o tucano José Serra em São Paulo, maior colégio eleitoral do país e de fundamental importância para o PT  no segundo turno, mesmo tendo um ministro no governo Dilma, Brizola Neto (Trabalho). Incoerências ignoradas por razões, digamos, pragmáticas !!!

Na política, na maioria das vezes o discurso é um e a prática é outra. Faz parte da dinâmica. Candidato nenhum a cargo majoritário que deseja alcançar seus objetivos pode se dar ao luxo da “seleção”, ou seja, de escolher quem ele quer receber apoio. O candidato Carlos Eduardo Alves mesmo, a quem o PT agora apoia, desejava o apoio do ministro Garibaldi Alves Filho (PMDB). Por este não ter apoiado o seu projeto político e fazer críticas a sua campanha, o tachou de um “velho radical”.  Acabou recebendo o apoio e o voto declarado público no primeiro turno da prefeita Micarla de Sousa, sua desafeta, por acreditar que o programa do pedetista é o que mais se identifica com a da atual gestão.  São as peripécias da política.

É preciso também desconstruir o discurso que agora tentam pregar de que o PMDB é aliado da governadora Rosalba Ciarlini (DEM). É bom que se esclareça que o secretário de Trabalho e Ação Social, professor Luiz Eduardo Carneiro, que foi inclusive o nome indicado pelo PMDB para compor chapa com a deputada Fátima Bezerra (PT) na eleição passada para prefeito de Natal, não foi indicação do PMDB para o governo Rosalba. Foi sim uma sugestão do ministro da Previdência – de quem, repito,  Carlos Eduardo Alves queria apoio para a sua candidatura -, a um pedido da governadora Rosalba.

Luiz Eduardo Carneiro está para o governo Rosalba como os afilhados políticos de Wilma de Faria, companheira de chapa de Carlos Eduardo Alves, estão para a gestão Micarla de Sousa. Carneiro, assim como o vereador eleito Cláudio Porpino (PSB) e o ex-secretário de Planejamento do governo Wilma de Faria (PSB), Vágner Araújo, que compuseram até  antes das eleições o corpo de auxiliares direto da prefeita Micarla de Sousa (PV), não foram indicações partidárias. Wilma de Faria, vice de Carlos Eduardo Alves a quem o PT agora dá o chamado “apoio crítico”, é quem mesmo diz que os dois afilhados políticos não foram indicações do PSB, e o partido, inclusive, cogitou a expulsão dos dois. Não foram expulsos e estão dando apoio à Carlos Eduardo Alves, assim como o PT. Será que foi mesmo cogitada a expulsão dos dois ou foi só pra inglês ver? Fico com a segunda opção!

Não custa lembrar ainda que o vice-governador Robinson Faria (PSD), que até bem pouco tempo acumulava cargos no governo do DEM, exercendo também a titularidade de secretário estadual de Recursos Hídricos, apoia Carlos Eduardo Alves. Observe-se aí, que um dos motivos com o rompimento com o governo foi o fato de Robinson ter criado no estado o PSD, partido de Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, que por sua vez apoia o tucano José Serra. Ao criar o PSD, Faria arrastou para o seu partido vários políticos do Democratas de Agripino Maia no estado. O PT agora está ao lado desse pessoal.

Sobre a participação do ministro Garibaldi Alves Filho e do deputado Henrique Eduardo Alves no Conselho Político do governo Rosalba, estes foram convidados à contribuir para discutir liberação de emendas parlamentares, indicações para o OGU (Orçamento Geral da União), projetos e ações que promovam o desenvolvimento do estado. Pergunto: deveriam se recusar?

Por fim, devo dizer que se comento uma notícia ou analiso um fato, ofereço minhas próprias conclusões. Cabe aos leitores refletir a respeito, concordar, divergir ou se manter indiferente.

Jornalista é um incômodo. E é assim que deve ser. Se não for não é jornalista.

Em tempo: O sectarismo do PT de Natal levou a perder a oportunidade de chegar a prefeitura ainda em 1992, com Salomão Gurgel. Conto isso no Baú de um Repórter. Clique Aqui [1] para relembrar o fato.

 

Compartilhe:
[2] [3]