A briga das letrinhas não vem ao caso. O que importa é ser probo
Nos últimos dias tem-se observado nos programas eleitorais dos dois candidatos que concorrem a prefeito de Natal neste segundo turno – Carlos Eduardo Alves (PDT) e Hermano Morais (PMDB) -, uma certa briga, digamos, de letrinhas. Ou seja, qual dos dois candidatos trocaram mais de sigla partidária. Ora,ora,ora! Ambos estão empatados neste quesito.
Carlos Eduardo Alves foi do PMDB, trocou pelo PSB e agora está no PDT. Hermano foi do PMDB, filiou-se depois ao PSDB, depois ao PSB e agora novamente no PMDB, seu partido de origem. Portanto, neste quesito ninguém pode falar de ninguém, os dois políticos tiveram seus interesses para trocarem de legenda.
A bem da verdade, nesta eleição os únicos que nunca trocaram de partido são coadjuvantes. Falo do ministro Garibaldi Alves Filho (PMDB), deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB), deputada federal Fátima Bezerra (PT) e deputado estadual Fernando Mineiro (PT). Os dois primeiros apoiam Hermano Morais e os dois últimos apoiam Carlos Eduardo Alves.
Aliás, sobre a troca de partido, a companheira de chapa de Carlos Eduardo Alves, Wilma de Faria (PSB), esta não só trocou de legenda várias vezes como deu uma guinada em sua vida pública, saindo de partidos de direita, como o extinto PDS, foi ao PDT e agora está no PSB. Wilma de Faria foi alçada à política pelos braços do hoje senador da República José Agripino Maia (DEM), na época governador pelo extinto PDS, que depois virou PFL.
Portanto, se há uma discussão sem fundamento é essa sobre a troca de partido de Carlos Eduardo Alves e Hermano Morais. Uma verdadeira sopa de letrinhas que todos os dois candidatos já provaram. Pra mim a discussão é outra.
Entendo que o eleitor tem que votar naquele candidato que é ficha limpa na política e não se tem o que falar dele. Acusá-lo de ter mudado de partido várias vezes, isso pra mim não é um argumento forte tendo em vista a flexibilidade da nossa política, embora já tenha sido aprovada a “fidelidade partidária”, que na prática não existe.
No caso de Carlos Eduardo Alves até pelo fato de já ter sido prefeito, ele tem telhado de vidro e já trincado, diga-se de passagem. Independente dele se tornar um ficha suja ou não à luz da Justiça, fato é que cometeu improbidades administrativas quando do seu último ano como gestor da prefeitura de Natal, quando ao apagar das luzes promoveu um saque previdenciário de R$ 22 milhões, posteriormente devolvidos com correção monetária, uma operação de crédito de R$ 40 milhões, resultantes da venda da conta do município da Caixa Econômica para o Banco do Brasil e incorporações salariais indevidas à servidores.
A sua companheira de chapa, ex-prefeita de Natal e ex-governadora do Rio Grande do Norte, Wilma de Faria (PSB), foi condenada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) em 24 de agosto último por prática de improbidade administrativa. De acordo com denúncia do Ministério Público estadual, a ex-prefeita teria utilizado procuradores municipais para fazer sua defesa perante a Justiça Eleitoral, quando estava na prefeitura da capital potiguar.
E contra Hermano Morais, além de ter mudado de partido, qual o ato improbo que cometeu em sua vida pública? Qual o processo que tem contra ele? O que dizer também do seu vice, Osório Jácome?
Finalizo esse texto citando um trecho de um artigo do colega e amigo Miranda Sá a título de reflexão:
– Não é suficiente que os cidadãos tenham o direito de votar para eleger os governantes da sua preferência. É necessário também que saibam exatamente em quem estão votando. E os meios para isso somente uma imprensa plenamente livre proporciona.