O que é mais importante: O avanço da ciência ou uma Copa do Mundo?
Na hora em que se discute se Natal, capital do Rio Grande do Norte, será mesmo uma das 12 sub-sedes da Copa do Mundo de 2014 a se realizar no Brasil, entendo que um assunto de maior relevância poderia estar sendo amplamente divulgado e debatido, embora não despreze o campeonato mundial de futebol do ponto de vista de dividendos turístico para o estado. Trata-se do IINN [Instituto Internacional de Neurociências de Natal]. Uma idéia do neurocientista brasileiro Miguel Nicolélis, professor de Neurobiologia da Duke University, no estado da Carolina do Norte (EUA).
Referência na América Latina o Instituto Internacional de Neurociência de Natal conta ainda com a implantação do Campus do Cérebro, em Macaíba, municípío localizado na Grande Natal, que terá ainda o primeiro parque biotecnológico industrial do mundo a ser localizado na ZPE [Zona de Processamento de Exportação]. Como a ZPE será especializada em produtos de tecnologia, vai contemplar também produtos de biotecnologia, em função da implantação do Centro de Neurociências no Estado.
Certa vez Nicolélis disse que era chegado o momento do Brasil repensar o modelo de produzir e disseminar o conhecimento. E a neurociência é uma das áreas de ciência básica de maior crescimento no mundo. Nos últimos 10 anos foram criados centros nos Estados Unidos, Europa e Japão. A proposta apresentada ao Ministério da Ciência e Tecnologia e ao governo do estado para a instalação do IINN contempla exatamente isso. O projeto, que inclui também a UFRN [Universidade Federal do Rio Grande do Norte] possibilita a que se tenha também pesquisadores locais.
Não custa ressaltar que uma técnica para tratar os sintomas do mal de Parkinson com suaves impulsos elétricos na medula espinhal teve sucesso num experimento com camundongos e poderá ser testada em humanos já em 2010. O método, descrito em estudo foi ideia do neurocientista Miguel Nicolélis.
A técnica, idealizada por Nicolélis e desenvolvida pelo chileno Romulo Fuentes, consiste em conectar um pequeno eletrodo – uma lâmina de metal – na coluna dos animais e ligá-lo a uma bateria que dispara impulsos elétricos com uma frequência controlada. Nos roedores, a estratégia conseguiu reverter os sintomas de Parkinson, doença degenerativa que afeta a habilidade motora das pessoas e causa tremores.
Como a aplicação de eletrodos na medula já se provou segura para tratamento de dor crônica em humanos, o uso da técnica contra Parkinson pode sair da fase experimental para a clínica mais rápido. E, a partir de agora, as pesquisas serão feitas no Brasil. A primeira instituição a dar continuidade à técnica será o Instituto Internacional de Neurociências de Natal, que Nicolélis ajudou a fundar. Daí a importância que se tem que dar à ciência e a tecnologia que estão sendo realizadas no Rio Grande do Norte.
Repito: A discussão em torno da Copa 2014 é importante, mas muito mais importante do que isso é o avanço da ciência e tecnologia. O Rio Grande do Norte já deu o primeiro passo, mas é preciso ir muito além. As pesquisas precisam avançar no campo da ciência. O papel da imprensa é fundamental ao disseminar informações sobre o que vem ocorrendo nesse campo. Se faz necessário uma discussão maior sobre um assunto tão relevante para a sociedade.
E acrescento: Apesar de a ciência brasileira ter uma história recente, o progresso alcançado nos últimos 40 anos é tal que o Brasil é reconhecido por outras nações. A afirmação foi feita nesta quinta-feira (12) pelo presidente da ABC [Academia Brasileira de Ciência], Jacob Palis, que participou de audiência pública para celebrar o Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento, comemorado em 10 de novembro.
Palis disse que o Brasil é uma das novas potencias científicas, ao lado da China e da Índia, que crescem em produção e qualidade, em índices maiores do que países desenvolvidos. O Brasil adquiriu prestígio e reconhecimento na área científica, ressaltou, o que exige que o país continue investindo na área. Nesse sentido, o presidente da ABC apelou ao Congresso pela manutenção do orçamento destinado à ciência e tecnologia para 2010, que atualmente representa 1,2% do PIB [Produto Interno Bruto]. Ele informou que a intenção do governo é de que tais investimentos cheguem a 1,5% do PIB, em cinco anos.
Palis enfatizou que a colaboração científica entre as nações pode contribuir com o progresso e beneficiar os povos menos favorecidos. Ele destacou ainda a necessidade de opção pelo desenvolvimento sustentável.