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Editorial

Panetones de Arruda põem por água abaixo ensaio de discurso moralista do Demos

O mensalão do único governador do DEM José Roberto Arruda (DF), com propinas escondidas até em meias e uma choldra de deputados orando para agradecer o recebimento de dinheiro sujo gravado em vídeo por um não menos inescrupuloso Durval Barbosa, seu secretário de Relações Institucionais, põe por água abaixo o ensaio de discurso moralista do Demos visando as eleições de 2010. Durval Barbosa foi quem denunciou o mensalão do DEM à Polícia Federal. Em troca, espera se safar de 27 processos a que responde – a maioria por corrupção.

O Demos agora quer dar uma de moralista e mostrar à sociedade que é diferente dos outros partidos. Mas fica só na encenação. O próprio líder da legenda no Senado José Agripino Maia (RN) já adiantou que há duas propostas: execução sumária, ou seja, expulsão de José Roberto Arruda de seus quadros, ou um processo disciplinar, ressaltando que já há consenso para a segunda proposta. Portanto, é mais provável que Arruda continue no partido, até porque ameaçou jogar merda no ventilador. Ou seria panetone?

O fato é que o discurso moralista apregoado pelo Demos caiu por terra. Por que o DEM hesita em expulsar Arruda? É como Ricardo Noblat disse:  “Só haverá uma explicação para o DEM não expulsar sumariamente dos seus quadros o governador José Roberto Arruda, do Distrito Federal: o medo de que ele afunde atirando. Como único governador do partido, Arruda ajudou no que pôde  em outros estados. A ajuda deve ter custado alguns milhares de reais”.

Qual moral agora o Demos vai ter para criticar o governo Lula? Quem nunca usou do mensalão que atire a primeira pedra!

Os panetones do governador Arruda chegaram cedo demais para o Natal dos democratas. O problema também é que o Papai Noel exagerou ao presentear os parlamentares. Recheou as meias deles de dinheiro sujo. Enfim, Arruda está explicitamente comprometido com o DEMsalão e é pouco provável a sua saída da legenda, o que dificultará mais ainda o discurso de ética dos democratas.

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