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Editorial

Dosinho,  “o mestre da marchinha” não gravará mais por falta de incentivo

O jornal Diário de Natal publica nesta quarta-feira (6) uma entrevista com o compositor potiguar Dosinho. Ele fala que vai parar de gravar porque na sua terra ninguém dá valor as suas músicas. Segue trecho da reportagem assinada por Sérgio Vilar

Dosinho está cansado das súplicas por espaço na mídia radiofônica natalense. O compositor de frevos e marchinhas carnavalescas decidiu pela aposentadoria: não grava mais CDs. “Não cansei de gravar; cansei de procurar sucesso em Natal”, reclama. O último CD gravado ainda está quentinho: Carnaval de Ontem e de Hoje – uma compilação de antigos sucessos e cinco composições inéditas. Dosinho fará primeiro a divulgação em Recife. Na capital do frevo ele tem prestígio, espaço garantido em rádio. Nosso Capiba potiguar construiu um catálogo de frevos-canções e marchinhas com alma de beco, de Carnaval de salão, de alegria solta. Nesta entrevista, ele, que foi parceiro de Capiba, foi gravado por Alceu Valença, Antônio Nóbrega e outros grandes do Carnaval ou do frevo pernambucano, fala sobre essa mágoa com o mercado da música potiguar e como Recife lhe dá o tratamento que ele gostaria de ter aqui.

Infelizmente na terra de Cascudo – o escritor, historiador e folclorista Luiz da Câmara Cascudo – ninguém costuma valorizar as coisas da terra. Prefere-se importar. Na música, então, nem se fala. Natal, que não tem nada da Bahia exporta o axé que faz sucesso no Carnatal – carnaval fora de época que acontece em dezembro na capital potiguar. O produtor cultural Zé Dias é quem tem razão quando se trata de valorizar a nossa cultura.

Mas o que fazer se o natalense não está preocupado em preservar sua cultura. Lamentavelmente Natal é assim. Uma cidade bela mas que culturalmente deixa muito a desejar. Ao contrário de Recife, por exemplo: Lá a cultura está em primeiro lugar. Aliás, a bem da verdade, Recife não, Pernambuco.Certamente por isso que Dosinho tem espaço nas rádios pernambucanas. Por que compõe canções com alma de beco.

Outro dia conversando com o juiz Cícero Macedo, que conhece muito bem Dosinho, eu sugeri a ele aconselhar o “mestre da marchinha” a se inscrever no Festival de Marchinhas que acontece todo ano no Rio. Ele ficou de falar com Dosinho. Não sei se chegou a bater um papo com o compositor, mas acho que Dosinho tinha tudo para obter sucesso nesse festival dada a qualidade de suas composições.

De resto fica aqui o nosso lamento por Dosinho não gravar mais. Quem vai perder com isso é a cultura potiguar, infelizmente!

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