Eleições 2010: As composições não foram feitas, mas as linhas gerais sim!
Tenho lido e observado que tanto o governo quanto a oposição tem movimentado as peças do xadrez político com vistas as eleições majoritárias deste ano no Rio Grande do Norte. O que é natural num ano eleitoral. Mas, na verdade, por mais que se especule, as composições não foram ainda feitas, apenas as linhas gerais. Ou seja, de antemão já se sabe quem vai ficar com quem, ou na pior das hipóteses, quem se alinha com quem.
O presidente da Assembléia Legislativa deputado Robinson Faria (PMN), a “noiva mais cobiçada dos últimos tempos” na política potiguar já definiu o seu caminho. Deixa o governo. Não se sabe ao certo se será candidato a governador, numa terceira via apoiado pela prefeita de Natal Micarla de Souza (PV), ou se será o vice na chapa encabeçada pela oposicionista senadora Rosalba Ciarlini (DEM). Faria diz que por enquanto não há nada definido e que está ouvindo o seu grupo político e as bases. Ah, as bases, sempre as bases!
Já disse em outras oportunidades. Não me surpreendo se Robinson Faria ousar ser a terceira via motivado principalmente pela oposição. E por que digo isso: Saindo como candidato da terceira via Robinson Faria tiraria votos do candidato governista Iberê Ferreira de Souza (PSB) que estará tentando a reeleição, já que a partir de abril assume a titularidade do cargo com a desincompatilização da governadora Wilma de Faria (PSB) que deverá sair candidata ao Senado.
Nesse caso o maior interessado nisso é a oposição, claro. Daí ter dito que caso isso ocorra será motivado pela oposição. Além disso, digamos que Robinson Faria saia mesmo candidato e não consiga ir para o segundo turno. Neste caso, certamente será valorizado porque tanto os governistas quanto os oposicionistas vão lhe procurar para obter seu apoio. Alguém tem dúvida? Faria dispõe de um grande capital eleitoral na região Agreste do estado e isso não pode ser desprezível.
Quanto a Iberê é fato notório que ele procura um vice que possa somar sobretudo em Natal, maior colégio eleitoral do estado, ou na região Seridó. A escolha aí estaria então no ex-prefeito da capital potiguar Carlos Eduardo Alves (PDT) ou no deputado federal João Maia (PR). Carlos Eduardo teria uma maior vantagem sobre João Maia: Além de ser bem avaliado em Natal, levaria consigo o deputado Álvaro Dias (PDT), cujo reduto eleitoral é o Seridó, o ex-prefeito de Panrnamirim, seu pai Agnelo Alves, e a possibilidade, ainda que remota, de atrair o seu tio senador Garibaldi Alves (PMDB) para apoiar Iberê e formar a chapa majoritária governista ao lado de Wilma de Faria para o Senado.
Do lado da oposição o desafio agora é convencer Robinson Faria a ser o vice de Rosalba Ciarlini. E aí relembro uma análise do jornalista Vicente Serejo ainda no início de novembro na TV Ponta Negra. Ele dizia:
– Como poderia Robinson Faria preterir ser o vice de Iberê se este em abril do próximo ano na qualidade de vice-governador assume a cadeira com a desincompatibilização da titular, Wilma de Faria, que deve sair candidata ao Senado, e aí já na condição de governador com a caneta cheia e a chave do cofre na mão ser candidato a reeleição, para ser candidato a vice numa chapa de oposição? Não teria a mínima lógica.
Para ele, que é amigo de Robinson Faria, o presidente da Assembléia Legislativa deve sim partir para uma candidatura solo. Serejo citou o exemplo da própria Wilma de Faria quando se elegeu governadora do Rio Grande do Norte pela primeira vez, contra tudo e contra todos. Wilma tinha na mão apenas a prefeitura de Natal e conseguiu se eleger governadora contra os grupos liderados pelos Alves e Maia no estado. Entende Serejo que Robinson Faria tem tudo para seguir o mesmo caminho, representando assim a chamada terceira via.