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Editorial

Preservar o meio ambiente, mas sem exageros!

Nas últimas semanas tem se travado uma grande discussão em torno da preservação do ecossistema em áreas consideradas de proteção ambiental no Rio Grande do Norte, mas particularmente em Natal, capital do estado. Foi assim com os espigões que iriam ser construídos no entorno do Morro do Careca na praia de Ponta Negra e no que diz respeito as piscinas naturais da praia de Pirangi, mais conhecidas como Parrachos. Felizmente nos dois casos prevaleceu o bom senso.

No caso dos espigões a prefeita Micarla de Souza, pressionada pela sociedade, revogou a lei que permitia a construção de edifícios próximo ao Morro do Careca. No caso dos Parrachos, ainda que tardiamente, o Ibama ordenou os passeios de barcos ao local e, claro, a natureza agradeceu. Ressalte-se que neste caso também houve uma grande mobilização da sociedade contrária a realização de um carnaval fora de época nas piscinas naturais, no que resultou na proibição do evento e na ordenação dos passeios de barcos explorados por empresas.

Agora me deparo com vozes, ainda que isoladas, contrárias a devastação de um resto de duna que existe dentro de uma área militar pertencente ao Exército localizada na praia do Forte. Ora,ora,ora. A área pertence a União e está localizada dentro de um quartel, o que se pode concluir que o comando do Exército, no caso em questão, pode fazer o que quiser dela. Não se trata de uma área pública, caso do Morro do Careca e dos Parrachos, nem muito menos de área de preservação ambiental.

Quem questiona a tal devastação da duna esquece que o governo do estado fez uma permuta com o Exército para construir alojamentos dentro do quartel em troca da liberação da área, onde também existia duna, para construir a ponte Newton Navarro [Forte/Redinha]. E nenhuma dessas vozes se levantaram contra o empreendimento. Vamos preservar o meio ambiente, mas sem exageros.

Muito mais preocupante que o caso em questão é a invasão do Parque das Dunas por 76 famílias e que até hoje não se teve uma solução. Este sim é considerado área de preservação ambiental através de uma leia estadual e também Patrimônio da Humanidade segundo a Unesco. Considerado o segundo maior parque urbano do Brasil perdendo apenas para a Floresta da Tijuca no Rio de Janeiro, o parque faz uma espécie de cinturação verde da cidade do Natal, mas poucos dão importância a isso.

Este blog vez ou outra cobra uma solução para as invasões que inclusive já tem uma ação no Ministério Público Estadual contra a prefeitura do Natal e o governo do estado para a relocação das famílas que ali residem. Segundo a promotora de Justiça e de Defesa do Meio Ambiente Gilka da Mata, em entrevista em janeiro ao jornal Diário de Natal, até o final de fevereiro o caso terá um fim. Esperamos que sim.

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