A `baixaria´ que abalou a candidatura de Henrique
Difícil acreditar que as denúncias do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa – observe gráfico reproduzido da Veja – , não tenham abalado a candidatura do presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB), ao governo do Rio Grande do Norte. Citado na delação premiada à Polícia Federal como um dos beneficiários do esquema, Henrique Alves, assim como todos os outros supostamente envolvidos, tenta afastar-se das denúncias desqualificando o depoimento do delator. Para estes políticos mais importante que as acusações são as provas. Até aí tudo bem. Mas delação premiada para que ela ocorra requer provas, sob pena do delator não ser beneficiado.
O que deverá preocupar mais ainda Henrique, além da repercussão negativa do escândalo, é que a revista Época liberou em seu site uma reportagem sobre o advogado Carlos Alberto Pereira da Costa, ex-braço direito do doleiro Alberto Youssef, que deu um depoimento à Justiça Federal de Curitiba. Na reportagem consta, inclusive, um vídeo do depoimento. Clique aqui [1] para ver. No vídeo, Carlos Alberto narra a atuação de Youssef em dois momentos: durante o mensalão, em 2005, e durante o pagamento de propina em troca de negócios da Petrobras, em 2013 – o escândalo de R$ 10 bilhões investigado pela operação Lava Jato.
Se fizer delação premiada, Carlos Alberto Pereira da Costa, “laranja” oficial do mega-doleiro Alberto Youssef, provocaria estragos. Ele é quem assinava a documentação apreendida pela PF com Youssef, diz hoje o jornalista Cláudio Humberto em sua coluna Diário do Poder.
O “Propinobrás”, como já está sendo conhecido o escândalo, desde sábado ocupa a mídia e, claro, as conversas de bares, praças e esquinas de todo o Brasil. Dia sim outro sim o Jornal Nacional, telejornal de maior audiência no país noticia novos fatos sobre o escândalo. E não se pode dizer que seja uma delação puramente eleitoreira, pois que partiu de um ex-diretor da Petrobras, também envolvido no caso, para poder ser premiado com a redução da pena. Se se estava esperando um fato novo nestas eleições o fato novo é o escândalo envolvendo a estatal do petróleo e políticos da base aliada do governo federal.
Henrique certamente não contava com isso. Mas, por ocupar a presidência da Câmara seu nome virou vidraça e prato cheio para a imprensa nacional. Não pode esquecer que já teve uma experiência negativa na campanha presidencial de 2002. Documentos obtidos por IstoÉ naquela época sobre o processo de separação litigiosa de Mônica Infante de Azambuja Alves, que corria na Justiça de Brasília desde outubro de 2000, estava recheado de provas, segundo a publicação, mostrando que o deputado declarava rendimentos de classe média, mas tinha hábitos e movimentação bancária de milionário. Resultado. Desistiu de ser o vice do então candidato tucano à Presidência da República José Serra.
Portanto, caro leitor, na condição de presidente da Câmara Henrique Alves deveria saber que os olhos estão voltados pra ele e que a “baixaria” de uma delação premiada pode sim abalar uma candidatura.
A conferir!