A casa de mãe Joana
O entra e sai de prefeito na prefeitura de Natal nos últimos 60 dias mais parece a casa de mãe Joana, onde todos mandam e desmandam. A decisão ontem do desembargador Amaury de Moura Sobrinho pelo afastamento de Ney Lopes Júnior (DEM) do cargo de prefeito ordenando a imediata posse de Edivan Martins (PV), presidente da Câmara Municipal do Natal, faltando menos de dez dias para o encerramento do ano e, portanto, da atual gestão marcada pelo afastamento pela Justiça da titular do cargo – Micarla de Sousa – só traz mais complicações a já atabalhoada administração municipal. Acaso venha a tomar posse, Martins seria o quarto prefeito de Natal em menos de 60 dias. Com um detalhe: Iria administrar a cidade num período de menos de uma semana.
No período pós Micarla de Sousa, destituída do cargo por denúncias de recebimento de propina, já passaram pelo Palácio Felipe Camarão, os vereadores Paulinho Freire, Ney Lopes Jr e, fatalmente, Edivan Martins. Nunca na história política da capital dos Reis Magos se viu tamanha lambança no Poder Executivo municipal. Não precisava nem se confirmar o fim do mundo, pois que o natalense na gestão Micarla de Sousa experimentou isso. Aliás, cabe aqui um parêntese: estamos vivenciando o fim do mundo também no governo democrata no Rio Grande do Norte.
Mas, voltando a questão da municipalidade natalense. Se era para afastar Micarla de Sousa e cumprir o que determina a Constituição Federal, no caso de afastamento de governantes dos cargos, por que é que a Câmara Municipal não abriu uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) para apurar as denúncias contra a alcaidessa motivadas pelo Ministério Público com ressonância nas redes sociais? Aí sim, tivesse a CMN aberto a CEI, Micarla teria perdido os direitos políticos por pelo menos oito anos. Mas, não, o Legislativo não cumpriu o seu papel. Resultado: O processo de afastamento de Micarla de Sousa foi judicializado e a lambança está aí. Natal, sem redundância, passará o Natal sem prefeito.
Para uma capital que está entre as 12 cidades selecionadas pela Fifa para ser uma das sedes da Copa 2014 a se realizar no Brasil isso não é nada bom, afora a falta de recursos que o erário público municipal enfrenta. Natal e seu povo não mereciam isso. É o fim do mundo!