A César o que é de César
Quando respondeu ao grupo de fariseus e herodianos que lhe perguntaram se era lícito pagar o tributo a César, Jesus não estava apenas reenviando seus capciosos detratores à iniquidade de sua intenção. Mais do que isso, acabava de lançar as bases da separação entre a ordem da política e a ordem do espírito.
Recorro a Bíblia para analisar o que ocorre hoje com a governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini (DEM), que com apenas seis meses de governo já sofre de um revés político-administrativo tão igual a prefeita de Natal, Micarla de Souza (PV), que já caminha para 1/4 final de seu mandato.
Não estou aqui para dar uma de advogado do diabo, mas no caso de Rosalba se tem que levar em consideração alguns fatores. Todos sabem, inclusive a oposição, que Rosalba pegou um estado arrasado administrativa e financeiramente. Aliás, lembro muito bem que após a campanha publiquei aqui neste espaço um comentário de uma auxiliar do ex-governador Iberê Ferreira de Souza (PSB), de que se ele soubesse como se encontravam as finanças do estado não teria assumido a candidatura a reeleição. Isso em março.
O título deste Editorial aplica-se também a Iberê. Ou seja, no dia 2 de junho de 2010, portanto, já lançado candidato, o então governador Iberê Ferreira, reuniu o seu corpo de auxiliares para anunciar um déficit de R$ 200 milhões nos cofres públicos e cobrou dos secretários empenho no enxugamento dos gastos. Para quem não leu o post ou não lembra, refresco a memória do web-leitor sugerindo clicar em Editorial [1]
O que quero dizer com isso? Quero dizer, não, na verdade quero reafirmar que Iberê não foi culpado de Rosalba ter encontrado uma máquina governamental esfacelada como afirmam alguns. A maior culpada disso foi a ex-governadora Wilma de Faria (PSB), que antes de deixar o cargo para concorrer ao Senado deixou Iberê literalmente com a cueca na mão. Iberê, que se lançara candidato a reeleição, sequer teve tempo de respirar porque enfrentou problemas de saúde na época e teve que ir à São Paulo por diversas vezes.
Claro que Rosalba Ciarlini também tem sua parcela de culpa. Não adianta querer governar olhando para o retrovisor. Ela foi eleita não para reclamar e sim para dar soluções aos problemas encontrados. Se não o fez depois de seis meses, é porque o seu governo também não está sendo competente. O eleitor não quer saber se ela encontrou ou não o estado em condições de ser governado. O eleitor quer saber é se ela, Rosalba, está preparada para governar, seja ele eleitor dela ou não.
Contudo, já está na hora da oposição acabar com essa história de que foi Rosalba que afundou o estado e por sua vez, a governadora também tem que por fim a cusação a Iberê. Se há um culpado nisso tudo não é Iberê nem Rosalba. O nome certamente é outro!