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Editorial

A democracia vive tempos sombrios

O jornalista Carlos Tautz, coordenador do Instituto Mais Democracia – Transparência e controle cidadão de governos e empresas, escreveu um artigo publicado no Blog do Noblat, sob o título “A democracia no Rio vive tempos sombrios”,  em que relata a sua preocupação com os protestos de rua que vêm ocorrendo na capital fluminense. Diz o jornalista:

O sequestro do sociólogo Paulo Baía no dia 18, após ter entrevista publicada n´O Globo com críticas à atuação da PM durante os atos de rua no Rio, é emblemático de como a democracia no Rio vive tempos sombrios.

Baía tem sido preciso em suas análises sobre o “vandalismo” nas manifestações – e talvez por isso mesmo tenha sido forçado por quatro mascarados armados a entrar em um carro sem placa e a ouvir que deve se calar.

“É um grupo que comete crime, não vandalismo. Vandalismo é um termo impreciso, incorreto e que desqualifica a manifestação. Esses que fazem saques são criminosos. E fico muito surpreso de a polícia assistir aos crimes e não agir”, descreve Baía em suas entrevistas.

“A primeira linha é formada por anarquistas, trotkistas, leninistas, partidos de oposição que acreditam na violência como meio de revolução. A outra faixa tem funkeiros, skinheads e Black Bloc, que se tornaram visíveis com as manifestações, além dos punks e das torcidas organizadas. Por último, temos os bandos com vínculos com facções criminosas, como traficantes, milicianos e bandidos comuns”, descreve Baía.

Relatado parte do artigo de Carlos Tautz, eu, um jornalista de provínciame atrevo a dizer neste meu blog que a democracia vive tempos sombrios e não é só no Rio de Janeiro não, é em todo o Brasil. Nestes tempos de novos “cabos Ancelmo” em que policiais militares se infiltram no meio dos protestos e onde um suposto agente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), desacata policiais em meio a atos de arruaças ocorridos no Rio, confesso que a situação mete medo. A quem interessa essas infiltrações policiais?

Não só isso. O sociólogo Paulo Baía ao analisar os atos de vandalismos nas manifestações, não só critica a atuação da Polícia, mas como também insurge contra o que chama de anarquistas, trotkistas, leninistas, partidos de oposição que acreditam na violência como meio de revolução, e por aí vai.

Tenho colocado aqui neste espaço posições polêmicas como por exemplo ao “defender” a ação policial nos atos de vandalismo. Entendo a Polícia como protetora do cidadão de bem. Acho até que há casos de abusos, mas muitas vezes o policial é levado a isso. Me refiro quando a ação é contra um arruaceiro que depreda o patrimônio público ou saqueia lojas, o que não justifica uma ação em massa desse tipo contra quem protesta pacificamente.

Mas o que preocupa mais é que a baderna está levando a democracia à tempos sombrios. Li na Folha que ainda para esta sexta-feira manifestantes de São Paulo marcaram pelo Facebook um ato em apoio aos protestos do Rio. Até ontem à noite, mais de 6 mil pessoas haviam confirmado presença. O ato começará às 18h, no vão do Masp, na av. Paulista. A página do evento na internet afirma que a ação é apoiada por oito grupos, entre eles o Anonymous –hackers que costumam invadir sites de governo e da imprensa para protestar. Parte dos apoiadores discute no Facebook a realização de Black Blocs, forma de ativismo que defende ações “para causar danos às instituições opressivas”. Na prática, picham paredes e quebram vidros.

O protesto em São Paulo, pelo o que se observa, não tem nenhuma pauta reivindicatória. Trata-se apenas de apoio as manifestações no Rio. Isso é muito perigoso!

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