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Editorial

A grande imprensa não “aposta” em Garibaldi

Desde que o nome do senador potiguar Garibaldi Alves foi indicado pelo PMDB para ministro da Previdência que dia sim dia não sai algo na chamada grande imprensa que o desqualifica para o cargo. Diz-se até que Garibaldi não passará de um cortador de fitas em inaugurações de novas superintendências do INSS. Se fala também que dentro do próprio núcleo do governo o peemedebista não é tido como confiável e que a presidente eleita Dilma Ruosseff (PT) teve que engolir a seco sua indicação.

Não discuto aqui o “abacaxi” que Garibaldi Alves pegou. O Ministério da Previdência sempre foi e será o calo dos governos. Segundo o Estadão noticiou na semana passada, somados, os rombos da Previdência já estão na casa dos R$ 100 bilhões. Essa cratera contábil que o Tesouro tem de cobrir todo ano é a junção funesta do déficit do Regime Geral, o INSS dos trabalhadores do setor privado, que está na casa dos R$ 45 bilhões, com o déficit do Regime Próprio dos Servidores Públicos, em torno de R$ 50 bilhões.

Portanto, o peemedebista está ciente do que vem pela frente. O que não se pode é desqualificá-lo para a função que irá ser nomeado. Lembro que quando Garibaldi foi eleito presidente do Senado para uma espécie de tapa-burado em função do afastamento do senador Renan Calheiros, devido as acusações que pesavam contra o alagoano, o ex-governador do Rio Grande do Norte não foi levado a sério. Com seu jeito sorridente e brincalhão, no início a grande imprensa não lhe deu muita credibilidade, achando que ele iria passar pela presidência do Congresso Nacional como mais um político do “baixo clero” sem deixar sua marca.

No entanto, o que ocorreu é que Garibaldi se sobressaiu chegando até a fazer enfrentamento ao Planalto como foi no caso das medidas provisórias. Ao deixar a presidência da Casa mereceu editoriais nos principais jornais do país elogiando sua postura de independência enquanto esteve a frente do Parlamento maior do país. Esse reconhecimento levou a que o nome de Garibaldi voltasse a ser lembrado para presidir o Senado novamente na próxima legislatura. A própria grande imprensa fala que a indicação de Garibaldi Alves para ministro da Previdência teve a concordância de José Sarney, temendo que o potiguar pudesse se entusiasmar e gostar da ideia de ser candidato à presidência do Senado novamente.

O fato é que assim como surpreendeu na presidência do Congresso Nacional, o senador Garibaldi Alves poderá também surpreender como ministro da Previdência. Isso será mais um desafio em sua brilhante carreira política. Se decepcionar e ser apenas um cortador de fitas é certo que a grande imprensa vai cair de pau. Mas se for o contrário, certamente novos editoriais de elogios virão ao senador potiguar. A conferir!

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