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Editorial

A (i) responsabilidade da imprensa

O caso, apesar de ter ocorrido há alguns anos, é emblemático e serve de alerta. Falo do caso da Escola Base em São Paulo. Após anos a Rede Globo foi condenada a pagar R$ 1,35 milhão para reparar os danos morais sofridos pelos donos e pelo motorista da Escola Base em São Paulo. Já o SBT foi condenado a pagar R$ 300 mil aos ex-donos da escola, instituição de ensino que foi envolvida em um escândalo em 1994. A Justiça entendeu que a emissora veiculou, sem provas, reportagens que os acusavam de abuso sexual contra crianças. A decisão foi publicada nesta quarta-feira (19), no site do Superior Tribunal de Justiça.

Na época, duas mães acusaram os ex-donos da escola de suposto abuso de seus filhos, crianças de quatro anos de idade. A Justiça entendeu que as manchetes sensacionalistas da época incitaram a revolta da população, que passou a saquear e depredar o colégio, além de ameaçar os acusados de morte.

Os ex-proprietários processaram o SBT por danos morais, alegando que a emissora ajudou a destruir suas reputações e acabar com a escola. Inicialmente, foi pedido R$ 300 mil para cada um dos donos. O relator admitiu a revisão da sentença por entender que o valor era desproporcional à ofensa e a indenização ficou em R$ 100 mil para cada um.

Fato é que infelizmente a indenização, mais do que merecida, não vai trazer de volta o prejuizo causado pelas “denúncias” e pelas reportagens sensacionalistas e até irresponsáveis da época.

Sempre que tenho oportunidade em bate-papos com colegas e até mesmo jovens jornalistas quando se fala em questão de ética e de matérias bem apuradas onde se deve ouvir pelo menos três fontes de credibilidade, ressalto este fato que marcou no jornalismo brasileiro e que ficou conhecido como “o caso da Escola Base”.

Fazer jornalismo não é tão fácil quanto se pensa e ainda mais quando se trata de denúncias. Jornalismo é coisa séria e como tal deve ser tratado assim. Hoje, com a internet e blogs para todos os gostos é preciso ter muito cuidado. Costumo sempre dizer que existem “blogueiros” e jornalistas. E qual a diferença. Blogueiro como não é jornalista a primeira informação que lhe vem ele solta, sem consultar as fontes, até porque na maioria dos casos nem as tem. Já o jornalista na boa concepção da palavra tem que as ter e de confiança, óbviamente.

Falo isso para evitar que casos como os da Escola Base não se repitam na era da internet. E olha que na época do escândalo foi a dita imprensa nacional que deu destaque. Mas o que me preocupa é que nos dias atuais com a ferramenta da internet e com as redes sociais qualquer um pode se valer no direito de divulgar uma informação sem checar a sua veracidade na ânsia de dar o “furo” que muitas vezes pode custar a reputação de uma pessoa, caso da Escola Base.

Portanto, na era da internet onde a informação corre em questão de segundos, é preciso mais do que nunca ter responsabilidade, sobretudo os profissionais de imprensa no qual me incluo.

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