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Editorial

A insatisfação das ruas é plural, geral e irrestrita

É um erro atribuir a insatisfação das ruas que tomou conta do país desde meados de junho apenas contra o governo Dilma Ruosseff  principalmente pela volta da inflação e dos gastos com a Copa das Confederações e da Copa do Mundo. Esses motivos foram apenas os estopins que levaram as ruas milhões de brasileiros.

Na verdade a insatisfação é contra todos os governantes – entenda-se aí também os governadores -, e os políticos de um modo geral como senadores, deputados, vereadores e prefeitos. Nem os togados escapam. Alguns menos outros mais. A insatisfação das ruas é plural, geral e irrestrita. Não se pode culpar a imprensa dita tradicional por isso também. A mídia faz o seu papel, ou seja, de divulgar os fatos. As redes sociais assimilam as informações e as transformam em protestos. Culpar a Globo, a Folha, O Estadão pelo o que vem ocorrendo no Brasil é outro erro.

A título de exemplo vou citar a última pesquisa Ibope/CNI:

Além de mostrar a queda de aprovação da presidenta Dilma, a pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta quinta-feira (25) também traz os índices relativos aos governadores de 11 estados brasileiros. Entre eles, o que possui a pior avaliação é o do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que tem sido alvo de protestos até hoje.

No levantamento, o Ibope/CNI, foi verificado também que a popularidade média dos governadores e dos prefeitos é similar à da presidenta. O índice está em 28% contra 31% de Dilma.

Enquanto Cabral é o pior avaliado – o índice de aprovação chega a apenas 12% e a sua desaprovação vai a 50% -, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), tem o maior índice de aprovação na avaliação. Possível candidato à Presidência da República em 2014, Eduardo é aprovado por 58% da população. O segundo melhor avaliado é o tucano Beto Richa, no Paraná, com 41% de aprovação.

A governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini, deu sorte por não figurar na pesquisa. Avaliações realizadas por institutos no estado dão conta de que o índice de desaprovação de Rosalba ultrapassa os 70%. Já há, inclusive, assim como no Rio de Janeiro que as pessoas pedem o impeachment de Sérgio Cabral, um movimento “Fora Rosalba” no Rio Grande do Norte.

Portanto, a classe política que abra o olho. As eleições do próximo ano, época da Copa do Mundo, pode ser um grande divisor de águas. Se o Brasil for campeão do torneio, melhor para os políticos. Pelo menos em determinado momento o ópio volta a tomar conta do país. Mas, não custa lembrar que as eleições só ocorrem em outubro, praticamente quatro meses após o Mundial de Futebol que ocorre em junho. Há ainda de se ressaltar que durante o torneio patrocinado pela Fifa, manifestações pontuais poderão acontecer.

É fato que nas urnas prevalecem os votos da massa, contudo, a classe média que está indo as ruas hoje poderá dar uma resposta grande com votos brancos e nulos se os nossos políticos não mudarem a sua postura.

Detalhe: li hoje no Globo que a ministra do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e ex-corregedora do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), Eliana Calmon, classificou como “projetos de fachada” as iniciativas do Congresso Nacional de combate à corrupção após o início das manifestações de rua. Isso, certamente, continuará a ter seus reflexos nas ruas. A conferir!

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