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Editorial

A política e seus ensinamentos

Ensina a “ética” que o exercício da política deve ser feito com base na ideologia e sob os efeitos de propostas sem agressões pessoais. Sobre a primeira, já disse uma vez, e volto a plagiar Cazuza: Ideologia! Quero uma pra viver. Sobre o prisma da segunda, da mesma forma estou atrás. Aliás, eu só não, os eleitores de um modo geral.

Dito isto, reporto-me agora a campanha eleitoral em Natal que no próximo domingo, já em segundo turno, elegerá aquele que será o prefeito da cidade nos próximos quatro anos. Assim se espera.

Não é segredo o meu voto em Hermano Morais (PMDB). E por que voto nele? Porque entendo que Carlos Eduardo Alves (PDT) junto com a sua companheira de chapa, Wilma de Faria (PSB), já tiveram oportunidades para administrar a cidade e pouco fizeram. Natal é uma cidade que não saiu do papel nos últimos vinte anos. Qual o avanço que teremos se Carlos Eduardo Alves for eleito prefeito se passou quase sete anos no poder e nada produziu de substancial para a cidade. Cito como exemplos a educação, saúde e o trânsito caótico que se agravou nos últimos anos.

Mas o fato é que a campanha eleitoral que Carlos Eduardo Alves imaginava tranquila diante dos seus mais de 60% de intenção de voto revelados em pesquisas antes de começar o programa no Rádio e na TV foi a segundo turno. No primeiro turno 60% do eleitorado disse nas urnas o que as pesquisas não retratavam. Que o natalense não queria Carlos Eduardo Alves e Wilma de Faria de volta ao poder.

Resultado: Carlos Eduardo Alves amargou uma derrota inesperada tendo que ir ao segundo turno com Hermano Morais, candidato do PMDB. E por que isso ocorreu? Está claro que isso ocorreu porque o único candidato a desconstruir o discurso de Carlos Eduardo Alves, de que fora um bom prefeito para Natal, foi Hermano Morais, que começou a campanha com menos de 3% das intenções de voto chegando ao segundo turno com pouco mais de 23%. Isso é fato.

Mas, eleitores de Carlos Eduardo Alves dizem que a campanha de Hermano Morais baixou o nível. Discordo! Se mostrar as obras inacabadas que Carlos Eduardo Alves joga a culpa na atual gestão é baixar o nível, melhor não fazer campanha. Se mostrar que Carlos Eduardo Alves concorre ao pleito sob efeito de liminar devido a ter suas contas desaprovadas no último ano de sua gestão pela Câmara Municipal é baixar o nível, melhor então não fazer campanha. Se mostrar que a sua companheira de chapa é improba sob a ótica do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e que enquanto governadora Wilma de Faria amargou vários escândalos em seu governo, é baixaria, melhor então não fazer campanha.

Ocorre que como aconteceu o segundo turno, a campanha de Carlos Eduardo Alves, esta sim, resolveu baixar o nível. Como não tinham o que falar sobre a vida pregressa de Hermano Morais enquanto político, resolveram citar uma ação movida pelo Ministério Público Estadual contra a Câmara Municipal, por ter promovido aumento de salário aos vereadores, onde cosnta não só o nome de Hermano Morais, mas de todos os vereadores que compunham a Casa na época, inclusive, alguns dos que foram reeleitos agora e que o apoiam. Isso sim é baixaria na medida em que não fala a verdade, pois que o aumento não foi só para Hermano Morais.

Baixaria é utilizar um vídeo, sabe-se lá por quem foi repassado ao marketing de Carlos Eduardo Alves, para tentar desqualificar Hermano Morais, num fato ocorrido ainda em 2003, quando este era aliado do hoje pedetista o qual frequentava ainda a sala do PSB sob o comando de Wilma de Faria. Diga-se de passagem, uma discussão entre os então vereadores Hermano Morais e Olegário Passos na primeira reunião para discutir os encaminhamentos da CEI (Comissão Especial de Inquérito) que iria apurar o desvio de mais de R$ 2 milhões dos recursos do SUS para efeito de pagamento do 13º salário e do mês de dezembro ao funcionalismo público municipal, logo após Carlos Eduardo Alves ter assumido a prefeitura para Wilma de Faria concorrer ao governo do estado.

Só para lembrar ao leitor, cito parte do depoimento do então vereador Enildo Alves na CEI dos Medicamentos relembrando outro depoimento seu na CEI da Saúde. Confira:

Convidado a prestar depoimento na nova CEI da Saúde,  instalada por proposição do então vereador Renato Dantas, após as eleições que levaram Micarla à vitória, Enildo Alves (PSB), hoje líder da alcaidessa no Legislativo municipal repetiu o que já havia dito e desdito na CEI anterior. Veja trechos de seu depoimento que consta do relatório final apresentado pelo então vereador Salatiel de Souza (PSB):

” Questiona ( A CEI dos Medicamentos) ainda sobre o interesse do senhor prefeito Carlos Eduardo, em manter recursos da Saúde juntamente dentro da conta única da prefeitura, como também, informa que todas as ordens bancárias assinadas por ele em dezembro de 2002, mas precisamente às vésperas do Natal, não iria de imediato para o banco, e sim, passaria pela Secretaria de Finanças para poder ser liberado, enviando, portanto, o malote para a Caixa Econômica Federal. Logo, afirma o senhor vereador Enildo Alves, que começou a receber reclamações dos prestadores de serviços pela falta de pagamentos. Imediatamente, foi até a Ribeira, contatou o então secretário de Finanças, senhor Jaime Dias, e ao questionar sobre a falta de pagamento foi informado que o senhor prefeito, só autorizaria o pagamento dos demais, depois que todos os servidores públicos municipais fossem devidamente pagos (…)

(…) O senhor vereador Enildo Alves, informa que ameaçou o senhor Jaime Dias de convocar uma coletiva com a imprensa e denunciar tal conduta. Ainda em seu depoimento, afirma que não é possível efetuar pagamentos, sem gerar um processo, como ainda diz que não é possível desaparecer R$ 2,66 milhões, acreditando que esteja na Conta Única do município. Para finalizar, o senhor vereador Enildo Alves, diz: “Eu não tinha autonomia financeira”, portanto explica que, só era possível efetuar algum tipo de pagamento com a autorização do secretário de Fiananças, e que em algumas situações suas ordens bancárias foram engavetadas”.

Isso o programa eleitoral de Carlos Eduardo Alves não diz. Faltar com a verdade também é baixaria.

Mas o programa de Carlos Eduardo Alves acusa a campanha de Hermano de homofóbica com um  panfleto que teria sido distribuído na noite de domingo em portas de igrejas evangélicas em Natal com o título “Carlos Eduardo Alves tem itens que afrontam a Lei de Deus e a Igreja Evangélica”. Neste ponto devo dizer que certamente foi um equívoco, e acredito que o candidato Hermano Morais (PMDB) não tenha concordado com isso, até porque Hermano quando vereador foi presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal. Seria ir contra o seu pensamento.

Em todo caso, mais homofobia explícita do que as declarações do candidato Carlos Eduardo Alves à revista Palumbo, em entrevista concedida em março último, impossível: Carlos Eduardo Alves foi taxativo ao ser indagado pelo repórter se o fato de ter chamado Micarla de Sousa para ser sua vice não teria sido porque a  jornalista tinha carisma? Eís o que respondeu o candidato do PDT:

– O que é carisma para esse povo? Isso para mim é viadagem.

Aliás, os mesmos que repercutem hoje nas redes sociais o panfleto da campanha de Hermano, são os mesmos que repercutiram na época as declarações do Sr. Carlos Eduardo Alves à Palumbo.

Baixaria é também colocar o dedo em riste no rosto do seu oponente em debate público. Isso sim é baixaria.

Portanto, se alguém baixou o nível da campanha aí não foi o programa de Hermano Morais, mas sim o de Carlos Eduardo Alves.

Cabe ao leitor refletir a respeito do que estou dizendo, concordar, divergir ou se manter indiferente. 

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