A toga levada à vala comum
Por mais que a Amarn (Associação dos Magistrados do Rio Grande do Norte) tente desqualificar anotações ou até mesmo declarações ao Ministério Público Estadual em troca de uma delação premiada da ex-servidora do TJRN, Carla Ubarana, presa junto com o marido em domicílio, sobre como funcionava o esquema de desvio de dinheiro de precatórios, cujo setor era comandado por ela até janeiro último, quando diz em nota que “repudia qualquer acusação sem provas, constante apenas de anotações, opiniões ou conclusões de pessoa sob suspeita, que venha a denegrir a imagem dos magistrados ou imputar-lhes levianamente prática delituosa, sem que estejam indiciados ou processados, ressaltando que todos os envolvidos estarão sujeitos à investigação administrativa e criminal quando efetivamente hajam provas e indícios de envolvimento”, vale dizer que a toga foi levada à vala comum.
Carla Ubarana é um arquivo vivo do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte. Não é mais novidade pra ninguém de que quando estourou o escândalo dos precatórios teve desembargador fazendo ameaças a colegas. Isso por si só já preceituava de que algo errado existia entre os homens de preto. Ou melhor: nos bastidores da magistratura potiguar. Agora vem à tona as memórias do cárcere onde três desembargadores são citados, inclusive a presidente da instituição. A denúncia é grave e certamente o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que já deve ter conhecimento dos fatos, deve se pronunciar.
A toga foi levada à vala comum e está desnuda. Isso é real. Querer desqualificar uma ex-servidora do TJRN por denunciar irregularidades que supostamente haviam no Setor de Precatórios não vai alterar em nada os fatos. Carla Ubarana não tinha autonomia para desviar dinheiro de precatórios sem que alguém de grandes poderes não tivesse mandado. Como ela mesmo disse a uma colega de prisão, ela (Ubarana) era apenas um laranjão entre tantos outros laranjas.
Quem precisa se explicar agora sãos os desembargadores que tiveram seus nomes denunciados. Estes devem uma satisfação à sociedade, até porque os homens de toga sempre foram vistos como acima do bem e do mau. Como a imprensa agora está colocando também luzes sob o Judiciário, exigi-se a verdade, sem corporativismo. A conferir!