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Editorial

Acordão: falta combinar com os russos

Conta a lenda futebolística que na Copa de 1958 durante a preleção antes do jogo contra a antiga União Soviética, o técnico brasileiro Vicente Feola, reuniu os jogadores e combinou a estratégia da partida. Segundo Nelson Correia foi algo assim:

– No meio de campo, Nilton Santos, Zito e Didi, trocariam passes curtos para atrair a atenção dos russos. Vavá puxaria a atenção da marcação da defesa deles caindo para o lado esquerdo do campo, repentinamente a bola seria lançada por Nilton Santos nas costas do marcador de Garrincha. Garrincha venceria facilmente o seu marcador na corrida e com a bola dominada iria até a área do adversário, sempre pela direita, e ao chegar a linha de fundo cruzaria a bola na direção da marca do pênalti. Mazzola viria de frente em grande velocidade já sabendo onde a bola seria lançada… e faria o gol! Garrincha com a camisa jogada no ombro ouvia sem muito interesse a preleção e, em sua natural simplicidade perguntou ao técnico: tá legal seu Feola…  mas o senhor já combinou tudo isso com os russos?

Fonte; Teoria dos Jogos,net

Pois é. Transportando a situação para os dias de hoje, e não no futebol, mas na política papa-jerimum, tem-se o acordão de quatro paredes onde os caciques estão articulando um guarda-chuva para abrigar as oligarquias esquecendo de ouvir os russos, digo, o povo. Lembro que enquete realizada pelo blog constatou que 72% das pessoas que avaliaram a hipotética situação reprovaram isso. Clique aqui [1] para conferir. Sendo assim há de se dizer aos incautos que qualquer tipo de acordão na política para beneficiar A, B ou C é repugnado pelo eleitorado e a resposta pode vir nas urnas.

Me estranha a insistência dessa prática que já ficou provada no Rio Grande do Norte ser um desastre do ponto de vista eleitoral. Insistir nisso é um equívoco.O povo já vem dizendo nas pesquisas de intenção de voto que deseja ver na disputa para o governo do estado o ministro Garibaldi Alves (PMDB) e a vice-prefeita de Natal Wilma de Faria (PSB), empatados tecnicamente na última avaliação. Garibaldi diz não querer ser candidato a governador novamente. Wilma sonha com o Senado com o apoio dos Alves. O ministro diz não subir no mesmo palanque em que estiver Wilma.

O presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves, no entanto, age como Feola, articulando um acordão para abrigar Wilma no mesmo guarda-chuva, mas esquece de ouvir o maior interessado na eleição, o povo. Fato é que a eleição para governador no Rio Grande do Norte está mais parecendo eleição de síndico de condomínio. Ninguém quer se candidatar. Aí ou se vai para o sorteio ou se escolhe deliberadamente um nome de “consenso”. No acordão quem seria esse nome? O de Henrique Alves? Wilma sonha com essa chapa, ou seja, Henrique para governador e ela para o Senado. Falta combinar com os russos.

A conferir!

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