Alerta de Lula à Dilma serve como recado ao PMDB
O alerta do ex-presidente Lula para a presidenta Dilma e para o presidente do PT, Ruy Falcão, de que, com a saída do PSB da base aliada, é preciso agora reforçar a aliança com o PMDB e assegurar o apoio de partidos como PDT, PR e PP, ao projeto de reeleição da petista, serve também como um recado ao PMDB.
Embora o presidente da Câmara, deputado Henrique Alves (PMDB-RN), tenha dito ontem em entrevista na Band Natal ao jornalista Diógenes Dantas que “não podemos isolar o PSB, as realidades estaduais são diferentes da nacional”, dificilmente isso ocorrerá no Rio Grande do Norte.
O PMDB terá candidatura própria ao governo do estado, segundo tem reafirmado o próprio Henrique. A presidenta estadual do PSB e vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria, tenciona sair candidata ao Senado com o apoio dos Alves, embora que já comece a admitir disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. No caso da candidatura à senatória – pouco provável – de Wilma, uma aliança com o PMDB é praticamente fora de cogitação, mesmo Henrique colocando que não se pode isolar o PSB. Restaria aí uma aliança na proporcional, já congestionada, com Wilma saindo candidata a federal. O PT, neste caso, também vai questionar.
Fato é que o alerta de Lula aos petistas não só é um recado aos peemedebistas como no caso do presidente da Câmara, que tem intenções de, em se reelegendo, candidatar-se novamente à presidência da Casa, ficar atento a isso. Uma aliança na majoritária entre o seu PMDB e o PSB de Wilma, que terá candidatura própria também à Presidência da República – Eduardo Campos ou Marina Silva – seria uma traição à presidenta Dilma, até porque hoje o PMDB é governo com Michel Temer (SP) sendo vice-presidente da República e com acordo já firmado para compor chapa com Dilma no seu projeto de reeleição.
Aliás, Lula sugere não só o reforço da aliança do PT com o PMDB, mas como também que Dilma assegure o apoio de partidos médios, como PDT, PR e PP, à reeleição da petista. Isso, de certa forma, também não será difícil para o PT e o PMDB no Rio Grande do Norte em caso de uma aliança na chapa majoritária com os peemedebistas indicando o candidato a governador e os petistas ao Senado – Garibaldi Alves e Fátima Bezerra, por exemplo – já que o presidente estadual do PDT no estado, prefeito de Natal, Carlos Eduardo é um Alves, o PR, do deputado João Maia, se comprometeu em apoiar o candidato do PMDB e o PP, este provavelmente sob o comando do deputado federal Betinho Rosado, embora seja uma incógnita, deve seguir a orientação nacional do partido.
Henrique Alves não vai poder agradar a gregos e troianos com o argumento de unir as forças políticas do Rio Grande do Norte com o objetivo de tirar o estado da crise em que se encontra sob pena de pagar um preço muito alto lá na frente. A conferir!