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Editorial

Alguma coisa está fora de ordem

A nota de esclarecimento da vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria (PSB), pré-candidata ao Senado Federal, para tentar justificar o por quê de não ter assumido o Executivo municipal em função da ausência do titular – Carlos Eduardo Alves (PDT) – em viagem de 12 dias à Espanha a trabalho, ressalte-se, explica mais não justifica. Diz a nota:

Em face de noticiário local, que informou da ausência do prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, pelo período de 12 dias, fato que gerou controvérsias e até um mandado de segurança de nítido viés eleitoreiro, aqui venho informar à população da cidade que não recebi qualquer comunicado oficial oriundo da Prefeitura Municipal do Natal ou da Câmara Municipal do Natal acerca do citado afastamento.

Caro leitor: pelas palavras de Wilma de Faria alguma coisa está fora de ordem. Como um prefeito de uma cidade se ausenta em viagem oficial de 12 dias e, sequer, comunica a sua vice para que, no caso, assuma a condição de  timoneira. Como o presidente da Câmara Municipal, que vem a ser Albert Dickson, também pré-candidato a um cargo eletivo nas próximas eleições, não tomou conhecimento oficial da viagem do alcaide natalense? Alguma coisa está fora de ordem.

Ressalte-se ainda que na nota “esclarecedora” de Wilma de Faria sobre o assunto ela afirma ainda que “é importante também informar a Natal, em nome do respeito que tenho por todos os seus cidadãos, que, mesmo antes de tomar conhecimento, pela imprensa, da viagem do prefeito ao exterior, já havia agendado compromissos que, inclusive, me deixarão ausente da cidade até o próximo dia 28, o que, por si só, inviabiliza as práticas de quaisquer atos administrativos pertinentes ao cargo de prefeito de Natal até a citada data”

Ué, e Wilma de Faria quando se ofereceu para ser vice-prefeita de Carlos Eduardo Alves não sabia das prerrogativas do seu cargo no caso de uma viagem demorada do titular do cargo? Como ela afirma em sua nota que já havia agendado compromissos – de campanha, claro – até o final de abril, “o que, por si só, inviabiliza as práticas de quaisquer atos administrativos pertinentes ao cargo de prefeito de Natal até a citada data”. Falta de compromisso com a cidade é a justificativa mais plausível. Alguma coisa está fora de ordem.

Fato é que nada, absolutamente nada, justifica Natal ter ficado sem prefeito desde a Semana Santa. Ainda ontem escrevi um Editorial sobre o carreirismo político em que dizia que a situação é tão sui generis que o juiz Luiz Alberto Dantas Filho, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Natal, mandou notificar a vice-prefeita, o presidente da Câmara Municipal, Albert Dickson, e o vereador Júlio Protásio, primeiro vice-presidente da Câmara. Quem não leu clique aqui [1]. Quem já leu vale a pena ler de novo. Para a vice-prefeita de Natal a prioridade pra ela agora é a sua eleição ao Senado. O compromisso com a cidade do Natal virou um risco n`água. Brasília agora é mais importante.

Acredito até que em função da nota da vice-prefeita, na sua volta à Natal o prefeito Carlos Eduardo Alves deverá dar explicações, certamente, posto que alguma coisa está fora de ordem.

A conferir!

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