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Editorial

manu-netoAlô prefeito Carlos Eduardo. O MPF quer demolir o Reis Magos

Alegando que “preservar a inútil e sem serventia estrutura do Hotel Reis Magos não acrescentaria em nada – como nunca acrescentou – ao patrimônio cultural, histórico e arquitetônico de Natal, senão perenizaria um cartão postal decrépito e representativo da decadência da atividade turística nas Praias dos Artistas, do Meio e do Forte, que tanto depõe contra a cidade”, o procurador da República no Rio Grande do Norte, Kleber Martins aponta, em parecer, ser favorável a demolição do Reis Magos.

Não custa lembrar que em abril do ano passado, o imbróglio envolvendo o Hotel Internacional dos Reis Magos sinalizava estar perto de acabar, porquanto o proprietário do empreendimento turístico, empresário pernambucano José Pedroza, visitara o prefeito Carlos Eduardo Alves e anunciou que iria reabrir o Reis Magos.

Aprovado pela Semurb (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo), o projeto do novo Hotel dos Reis Magos previa a construção de 294 apartamentos, 500 vagas de garagem no subsolo e lojas comerciais na lateral, sendo a entrada do hotel pela rua 25 de dezembro.

Para isso, José Pedroza queria contar com o apoio da prefeitura para urbanizar a área da 25 de dezembro. Conforme o empresário, o hotel corre risco de desabamento. José Pedroza não visitava o empreendimento há 12 anos. Pelos cálculos do empresário, a reforma total do Reis Magos vai custar R$ 130 milhões.

Pois muito bem: cadê o compromisso do empresário em reestruturar o Reis Magos mantendo sua linha arquitetônica, como um desejo do prefeito Carlos Eduardo Alves? Cadê a Semurb que não urbanizou a rua 25 de dezembro, conforme solicitado pelo empresário pernambucano? Cadê a prefeitura do Natal, que não cobra a obra ao empresário pernambucano? E agora há de se fazer também a pergunta: O prefeito Carlos Eduardo Alves vai se posicionar diante do parecer do procurador da República no estado, Kleber Martins, que disse que o Reis Magos não acrescenta em nada ao patrimônio cultural, histórico e arquitetônico da capital potiguar?

Certamente o procurador da República no estado desconhece o estudo feito por sete pesquisadores da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) acerca da importância histórica, simbólica e arquitetônica do Hotel Reis Magos. Trata-se do primeiro estudo oficial sobre o imóvel à disposição do Ministério Público Estadual que deveria ou deve ser também do conhecimento do Ministério Público Federal. Integram o grupo de pesquisadores Natália Vieira, George Dantas e José Clewton Nascimento; o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Norte, Raquelson Lins; e a representante do Instituto de Arquitetura do Brasil (IAB/RN), Patrícia Luz.

O estudo, que levou aproximadamente um mês para sua realização, consiste na atribuição de valor ao hotel dentro de quatro perspectivas. A primeira trata do prédio como um ícone representativo do modernismo em Natal. A segunda avalia o edifício como um elemento que estrutura o desenvolvimento urbano na área, o que caracteriza seu fator histórico. Em seguida, foi feita a leitura específica do ponto de vista arquitetônico, enfatizando a corrente modernista da arquitetura brasileira, além de trazer atributos de qualidade técnica, construtiva, espacial e artística. Por fim, atribuiu-se valor simbólico ao edifício, discutindo o que ele significa para a cidade, histórica e simbolicamente.

Outra: a FJA (Fundação José Augusto), que pertence ao governo do estado, já deferiu o tombamento temporário do Hotel Reis Magos, situado na avenida Presidente Café Filho, na praia do Meio, em Natal, proibindo a demolição ou qualquer alteração do imóvel até que seja concluída a pesquisa sobre o valor histórico e artístico de referida construção para fins de tombamento.

O pedido foi feito à FJA pelo Instituto dos Amigos do Patrimônio Histórico e Artístico Cultural e da Cidadania em regime de urgência para evitar que o hotel corresse o risco de ser demolido a qualquer momento sem que fosse avaliada em definitivo a sua importância para preservação.

Porquanto, o procurador da República no estado, Kleber Martins, teria motivos suficientes para não dar parecer contrário a preservação da memória do Rio Grande do Norte, no caso o Hotel Internacional dos Reis Magos, primeiro cinco estrelas no estado.

Lembro ainda que em fevereiro de 2014 o próprio prefeito Carlos Eduardo Alves desautorizou toda e qualquer iniciativa, dentro do seu governo, voltada para a demolição do tradicional hotel localizado na Praia do Meio, no litoral urbano de Natal.

Carlos Eduardo foi taxativo ao enfatizar que não vai autorizar a derrubada do prédio, e que vai chamar o empresário pernambucano José Pedroza, fundador do “Hotéis Pernambuco”, grupo empresarial que detém o controle do Reis Magos, para dizer que as linhas arquitetônicas do imóvel têm que ser preservadas.

E agora, prefeito Carlos Eduardo Alves, vai se posicionar novamente ou vai deixar que o Reis Magos, construído ainda no governo Aluizio Alves – já falecido -, seu tio, que foi também ministro de Estado em dois governos e que ousou construir em Natal, ainda na década de 1960, um hotel cinco estrelas com linhas arquitetônicas em curvas seguindo os padrões de Oscar Niemayer, seja demolido?

A conferir!

Foto: arquivo

 

 

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