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Editorial

`Aluno Presente´, um projeto a ser seguido

O Globo publica hoje uma reportagem cujo conteúdo deveria servir de exemplo a todos os governos no país, inclusive, o governo federal. Diz o texto que o Rio de Janeiro começará, no mês que vem, um projeto que pretende bater de porta em porta nas casas das áreas mais vulneráveis da cidade em busca de um contingente de 24 mil crianças de 6 a 14 anos de idade que estão fora da escola. Apesar de representarem apenas 2,1% da população carioca dessa idade, o número preocupa porque, nessa faixa etária, a matrícula é obrigatória. Batizado de Aluno Presente, o projeto contará com o apoio de voluntários e financiamento da ONG Education Above All (Educação Acima de Tudo), mantida pelo governo do Catar.

Pois é: na hora em que se discute, por exemplo, o aumento de crimes praticados por menores com arma de fogo e a necessidade de um estudo sobre a redução da maioridade penal, de 21 para 16 anos – que defendo -, pois que o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) se baseia no caduco Código Penal brasileiro que data de 1941,  nada como um projeto como esse a ser desenvolvido pelo governo fluminense para tirar crianças e adolescentes da rua. Entendo que o problema maior da violência infanto-juvenil está exatamente na falta de oportunidades e a escola entra neste contexto.

Outro dia ao participar de um debate na UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) no curso de Rádio-Jornalismo sobre a questão da redução da maioridade penal, defendi que o problema maior da crescente criminalidade envolvendo jovens está exatamente na falta de boas escolas. Ou seja, tudo passa pela Educação, sem o que não se vai muito longe. Seja o jovem de classe abastarda ou menos favorecida.

Dizer que o problema da violência juvenil está relacionado a convivência conturbada em família, sobretudo nas classes menos favorecidas, como muitos pregam é um ledo engano. Convivência conturbada em família existe em qualquer classe social, seja ela A, B ou C. É errado também se considerar que a pobreza leva ao jovem carente aos caminhos da criminalidade. Fosse assim nas favelas do Rio de Janeiro só teríamos marginais. E não é isso que se observa. Ao contrário, a maioria das pessoas que vivem nestas comunidades é do bem.

O projeto “Aluno Presente” é sim a saída a ser encontrada para tirar da rua menores infratores. Uma boa escola, de preferência com atividades que possam ocupar o aluno nos dois períodos – manhã e tarde – levando-o também a prática de esportes ou atividades culturais como a música, por exemplo, é o caminho. Se a criança ou o jovem carente se ocupar de alguma atividade paralela ao ensino, certamente não terá tempo pra pensar em outra coisa. Projetos isolados e bem sucedidos provam isso. A título de exemplo, em Natal mesmo temos a Casa do Bem, do amigo e colega Fávio Rezende, que atua com crianças e jovens na comunidade de Mãe Luiza.

Que o exemplo do Rio de Janeiro seja seguido em todo o país!

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