Carlos tenta desconstruir imagem de Hermano
Bastou um candidato opositor subir nas pesquisas e ele cair, pronto, o marqueteiro do candidato novamente a prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT), publicitário Alexandre Macedo, partiu para a tentativa de desconstruir a candidatura do deputado Hermano Morais (PMDB), levando ao programa eleitoral que o peemedebista conta om os votos dos vereadores do Partido Verde e insinua, por isso, que a prefeita Micarla de Sousa apoia Hermano.
Bem ao estilo da campanha de José Serra (PSDB), em São Paulo, que produziu cartilha para municiar cerca de 200 cabos eleitorais com informações contra rivais do tucano, principalmente Celso Russomanno (PRB).
No material, Russomanno, que lidera as pesquisas, é comparado ao ex-presidente Fernando Collor – que foi eleito também por um partido pequeno e caiu após suspeita de corrupção- e apresentado como representante do “projeto de poder” do bispo Edir Macedo.
O bispo comanda a Igreja Universal do Reino de Deus, que é ligada ao partido de Russomanno.
A apostila foi produzida para orientar os cabos eleitorais a, nas palavras da própria cartilha, “desconstruir” a imagem de adversários em investidas porta a porta, na casa dos eleitores, segundo reportagem da Folha de S. Paulo.
No caso das eleições em Natal, muitos dirão que foi a campanha de Hermano Morais que iniciou as provocações, colocando no programa eleitoral um mamulengo com o nome de Nildo para falar sobre os escândalos ocorridos nos governos Wilma de Faria (PSB), companheira de chapa de Carlos Eduardo Alves, e dos remédios jogados fora na gestão do pedetista quando prefeito de Natal, objeto, inclusive, de um processo que tramita na Justiça.
Mas, diferentemente do programa eleitoral de Carlos Eduardo Alves, o programa de Hermano Morais fala de fatos e não de insinuações. Dizer que a prefeita Micarla de Sousa apoia Hermano é insinuação para desconstruir a candidatura do peemedebista, quando todos sabem que a própria alcaidessa já disse na imprensa que o programa de governo que mais parece com o seu é o de Carlos Eduardo Alves, e quando se sabe ainda que dois dos ex-auxiliares diretos de Micarla de Sousa – Vágner Araújo (PSB) e Cláudio Porpino (PSB), este último candidato a vereador -, estão apoiando a candidatura dele (Carlos Eduardo).
Quer coisa mais desagradável do que o candidato ter como vice uma política, que sob a ótica da Justiça (Superior Tribunal de Justiça), é considerada improba por ter usado procuradores do município para defendê-la em causa própria quando ainda era prefeita de Natal? Falo de Wilma de Faria (PSB). Pela denúncia do Ministério Público Estadual, a ex-prefeita teria utilizado procuradores municipais para fazer sua defesa perante a Justiça Eleitoral, quando estava na prefeitura da capital potiguar. Na época, ela teria que justificar um contrato celebrado entre o município e a empresa MCS Consultoria Vida Ltda., para prestação de serviços na área de saúde.
O relator do processo, ministro Benedito Gonçalves lembrou a decisão da Segunda Turma do STJ que considerou a conduta da prefeita como reprovável, mesmo que de forma implícita.
Mas, é a “guerra” da campanha que nesta reta final começa a acirrar-se. Certamente Carlos Eduardo Alves não contava com isso, já que vinha navegando em céu de brigadeiro. Como Hermano Morais começa a incomodá-lo, e sua campanha deve ter pesquisas qualitativas que retratam o novo quadro, a estratégia do seu programa eleitoral teve que ser alterada. É sintomático!