- blogdobarbosa - https://blogdobarbosa.jor.br -

Editorial

Causas e consequências da crise hídrica. De quem é a culpa?

Não faz tanto tempo assim – mais precisamente no final de agosto do ano passado – o Fantástico levou ao ar uma reportagem que falava sobre as causas e consequências da crise hídrica que o Brasil enfrenta. Dizia a reportagem:

Derrubadas e garimpos deixam uma cicatriz gigantesca na mata que pode parecer um problema exclusivo de árvores e bichos, distante da maioria das pessoas. Mas a ciência e as novas tecnologias comprovam que as consequências da devastação estão muito mais próximas de todos nós.

Nascentes que já não vertem mais água. Represas com menos de 10% de sua capacidade original de armazenagem. Uma delas, por exemplo, perto de Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo, deveria ter em um ponto uma profundidade de pelo menos cinco metros. Está agonizando. Mas o que a falta de água nesta região do país tem a ver com a Amazônia que fica a mais de 2 mil quilômetros de distância? Tudo, absolutamente tudo, segundo cientistas que estudam as funções da floresta e as variações climáticas na América do Sul.

“Essas chuvas que ocorrem principalmente durante o verão, a umidade é oriunda da Amazônia. E essa chuva que fica vários dias é que recarrega os principais reservatórios da Região Sudeste.” explica Gilvan Sampaio, climatologista do Inpe.

De acordo com o relatório sobre o futuro climático da Amazônia produzido por cientistas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), nos últimos 400 milhões de anos, a umidade que evapora dos oceanos é empurrada naturalmente pelos ventos para dentro dos continentes. Uma parte desse vapor vira chuva e cai principalmente sobre as grandes florestas na altura do Equador. O excesso de umidade segue empurrado pelos ventos, atravessa os continentes e acaba indo para o mar. Um ciclo que ao redor da Terra só tem uma exceção: a Amazônia.

O que torna a Amazônia diferente de todas as grandes florestas equatoriais do planeta é a Cordilheira dos Andes. Um imenso paredão, de 7 mil metros, que impede que as nuvens se percam no Pacífico. Elas esbarram na Cordilheira e desviam para o Sul.

Diariamente, cada árvore amazônica bombeia em média 500 litros de água. A Amazônia inteira é responsável por levar 20 bilhões de toneladas de água por dia do solo até a atmosfera, 3 bilhões de toneladas a mais do que a vazão diária do Amazonas, o maior rio do mundo.

Esse imenso fluxo de água pelos ares é chamado de “rios voadores”. O Fantástico chamou a atenção para a importância desses rios já em 2007. Imagens feitas de um avião do projeto “rios voadores” revelam nuvens densas, carregadas de água, cruzando todo o Brasil.

Testes feitos em laboratório comprovaram: mais da metade da água das chuvas nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil e também na Bolívia, no Paraguai, na Argentina, no Uruguai e até no extremo sul do Chile vem da Amazônia.

Para os cientistas, uma prova irrefutável do papel dos Andes e da Floresta Amazônica no ecossistema do cone-sul é a inexistência de um deserto nessa região. Basta olhar o globo para constatar que na mesma latitude em volta do planeta tudo é deserto. Menos na América do Sul.

Os pesquisadores não têm dúvida: sem a Amazônia, os estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul fatalmente seriam desertos também.

Dito o que a reportagem mostrou, fica a pergunta: onde estão os nossos governantes – presidenta Dilma e demais governadores de estados que, parecem, não estão nem aí para o problema que se agrava dia a dia e que certamente levará a um outro problema de tamanha gravidade, ou seja, a crise energética? Não se pode pensar mais em construir hidrelétricas se já começamos a enfrentar o problema da falta de água em grandes reservatórios. É hora de se fazer uma grande fiscalização – e não a de faz de conta – quanto a devastação da floresta amazônica, bem como se investir em usinas termoelétricas e eólicas, sem deixar de lado, da mesma forma, a energia solar, abundante e barata em nosso país.

De quem é a culpa se a situação chegou ao ponto que chegou? Eu mesmo respondo: de Vossas Excelências, presidentes (as) e governadores (as). O resto é conversa pra boi dormir!

Compartilhe:
[1] [2]