Chegou a hora de politizar a disputa
Vamos deixar de hipocrisia e pensar que campanha política só se faz em cima de propostas. A fase de discutir quem é o mais preparado, quem tem mais competência já passou. É chegado o momento de politizar a disputa. Diplomacia fica pra quem disputa cargo de secretário-geral da ONU. E quando falo de politizar a disputa falo de desmistificar o concorrente. E isso, parece, Carlos Eduardo Alves não aceita.
O pedetista achou que a sua eleição seria apenas cartorial. Ou seja, chegar no dia 7 de outubro com o paletó já encomendando para a posse. Como Hermano Morais (PMDB), hoje o seu principal oponente cresceu nas pesquisas de intenção de voto, desmistificando ele (Carlos Eduardo Alves) desde o primeiro programa eleitoral, o pedetista se sentiu acuado e agora prega o discurso da radicalização.
Carlos Eduardo Alves não poupa nem o seu primo, ministro Garibaldi Alves Filho (PMDB), dizendo que “depois de velho Garibaldi resolveu radicalizar”. Quem está sendo radical aí?
Só uma observação:
Na campanha de 2004, quando Carlos Eduardo Alves foi candidato a prefeito, apoiado pela então governadora Wilma de Faria (PSB), Garibaldi Alves junto com o PMDB apoiaram o candidato Luiz Almir, então no PSDB. Quem não se lembra de Garibaldi ter ameaçado sair da campanha de Luiz Almir por este, aí sim, ter radicalizado contra Carlos Eduardo Alves? Foi preciso Geraldo Melo e a coordenação da campanha acalmar Garibaldi para ele não largar a candidatura do tucano. Agora Carlos Eduardo Alves querer falar em radicalização, quando apenas desmistificam ele, como político e gestor que foi, não tem cabimento.
Se radicalizar é desmistificar o outro candidato que faz uma campanha pelo “retrovisor”, comparando a sua gestão a da atual prefeita, Micarla de Sousa (PV), a palavra radicalizar mudou de sentido. Ou Carlos Eduardo Alves esqueceu as palavras ditas ontem em coletiva à imprensa, chamando Micarla de Sousa de “mentirosa” e de agir com “desfaçatez” quando proclamou o seu voto no pedetista?
Disse o pedetista:
– Vejam a que ponto ela chegou: nem auto-estima tem mais!
Carlos Eduardo Alves levou a coisa para o lado pessoal. Isso é ou não é ser radical?
Carlos acusa ainda Hermano e Garibaldi de estarem promovendo o radicalismo quando falam que existe um processo na Justiça contra a sua pessoa, no que diz respeito aos medicamentos jogados no lixo. Ocorre que, como prefeito, na época, quem respondia pela gestão do município era ele, Carlos Eduardo Alves. Sendo assim, normal se referir a sua pessoa como gestor.
O pior é que Carlos Eduardo Alves fala em radicalismo, mas está partindo agora para fazer terrorismo. Na mesma fala aos jornalistas fez um “prognóstico” quando afirmou:
– O funcionário público de Natal deve fazer uma reserva financeira, com o rombo financeiro e o caos administrativo da atual gestão, a prefeita não vai pagar os salários dos servidores até o final da gestão.
Caro leitor-eleitor, quem partiu aí para o radicalismo, afinal?