Conversa pra boi dormir
Essa história, ou seria estória, de que o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), candidato derrotado ao governo do Rio Grande do Norte, não quer ser ministro não passa de conversa pra boi dormir. Pra mim Henrique Alves está se valorizando. Qual político não gostaria de ser ministro de Estado, ainda mais quando fica sem emprego, caso de Henrique Alves que está encerrando os seus 44 anos de mandato como parlamentar mais antigo da Casa? Alves ficará sem mandato pela primeira vez desde 1971, após 11 legislaturas.
Hoje O Globo informa em sua edição que a presidente Dilma sugere ao PMDB Henrique para ministro da Previdência em lugar do primo, Garibaldi Alves Filho (PMDB), que está retornando ao Senado. Diz o jornal fluminense que “ao ouvir dos peemedebistas a justificativa de que a Agricultura, que será assumida por Kátia Abreu, sempre foi uma pasta cuja indicação passava pela bancada do partido da Câmara, a presidente sugeriu a troca: dar aos deputados a Previdência, anteriormente indicada pelos senadores. A equação, no entanto, não é tão simples de resolver, porque os deputados concordam com a nomeação de Alves, mas para o Ministério da Integração Nacional. A Previdência é historicamente considerada um “abacaxi”, já que as medidas mais importantes dos ministros da pasta são geralmente cortes impopulares de benefícios”.
Dito isto, fica claro que o deputado Henrique Alves, em fim de mandato, quer uma pasta, digamos, mais robusta, caso da Integração Nacional que, inclusive, seu pai, Aluizio Alves, já falecido, ocupou no governo Itamar Franco (1992/1994), na época denominado de Ministério da Integração Regional. Ainda esta semana o jornalista Lauro Jardim informou em sua coluna, Radar on-line, que o candidato à presidência da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), quer a indicação de Henrique Alves para ministro. Não disse qual pasta, mas fica subentendido que será uma ligada as que a Câmara tem direito a indicar e, neste caso, provavelmente a Integração Nacional.
Político nenhum, ainda mais com tantos anos de carreira, quer ficar desempregado e Henrique Alves não será exceção. O Globo diz ainda que “ao sinalizar que dará a Henrique Alves uma vaga na Esplanada, Dilma contraria o que vinha dizendo aos seus auxiliares logo após as eleições: que não faria um Ministério de derrotados nas disputas estaduais. Mas ela já indicou o senador Armando Monteiro (PTB), que perdeu o governo de Pernambuco, para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Henrique Alves foi derrotado no Rio Grande do Norte. Mais dois senadores peemedebistas que perderam eleições para o governo nos seus estados trabalham para garantir um espaço no Ministério: o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (AM), e o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE)”.
Portanto, não será por falta de imposição do PMDB junto a presidente Dilma que Henrique ficará sem emprego. É como disse o jornalista Josias de Souza em artigo publicado em seu blog sob o sugestivo título: “Aliados chantageam Dilma escancaradamente”. E completa:
– O que assusta na marcha resoluta de Dilma Rousseff rumo ao arcaico é sua crueza explícita. Se a sessão mais recente do Congresso serviu para alguma coisa foi para informar à presidente reeleita que ela não deve esperar nenhuma colaboração altruísta dos seus aliados. Ficou entendido que, no segundo mandato, os sócios do empreendimento governista enquadrarão a presidente da República em três leis: a lei da oferta e da procura, a lei do mais forte e a lei da selva.
E mais:
– O fato de os partidos aproveitarem a hora para exigir definições sobre o rateio dos ministérios e otras cositas não deveria surpreender o Planalto. O pessoal está apenas exigindo a consideração que Dilma não demonstrou no primeiro mandato, quando ainda se achava uma gerente extraordinária. A presidente encomendou uma meia-sola para disfarçar o rombo nas contas de 2014. Os aliados querem ajudar. Mas exigem recompensa compatível com o valor do conserto —são regras do mercado persa.
A conferir!
Charge do Jorge Braga