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Editorial

Corrupção, chantagem, agiotagem, tudo fechando o sinal

Aos poucos, assim como no esquema do petrolão, estão vindo à tona toda a engrenagem de um esquema de corrupção, chantagem e dinheiro sujo de agiotagem montado no Detran-RN, ainda no governo Wilma de Faria (PSB), passando pelos seus sucessores, Iberê Ferreira (PSB) – já falecido – e Rosalba Ciarlini (DEM), esta última detonou o esquema em seu governo acabando com a inspeção veicular que rendia dividendos para empresários corruptos e políticos no estado.

Já é de conhecimento público um vídeo contendo parte da delação premiada do advogado e empresário George Olímpio, um dos cabeças do esquema, onde são relatados como a coisa funcionava. Me chamou a atenção o fato de que George Olímpio disse ter sido “chantageado” para doar R$ 1 milhão para a campanha a reeleição de José Agripino. Senão vejamos:

De acordo com o depoimento, inicia-se uma negociação na qual George Olímpio afirma que poderia dar R$ 200 mil ao senador. “Eu também não queria perder aquele elo, porque pra mim aquilo foi um aviso muito claro: ou você participa da nossa campanha ou você perde a inspeção. Foi uma forma muito sutil, mas uma forma de chantagem. Eu tinha esse dinheiro no cofre do meu escritório. Eu saí de lá, peguei esses duzentos mil e voltei. Eu disse a ele que poderia dar mais R$ 100 mil na próxima semana e ele falou – ‘aí vai faltar R$ 700 mil pra você dar a mesma coisa que você deu pra campanha de Iberê”, disse Olímpio no depoimento ao MP.

Para arranjar os R$ 700 mil, Olímpio é sugerido a recorrer a agiotas, amigos de Agripino pelo o que disse na delação premiada. O senador do Democratas teria dito que já havia ligado para um amigo dele e que essa pessoa iria emprestar R$ 400 mil a George Olímpio para que ele desse o dinheiro. “Eu peguei R$ 400 mil emprestados com Marcílio Carrilho, que hoje é presidente do Democratas municipal de Natal, com cheques meu ou do consórcio, para garantir. Paguei todo mês, a partir de outubro de 2010 a fevereiro de 2011, R$ 16 mil de juros. E ele disse ainda que ligaria para Ximbica (José Bezerra Júnior, ex-suplente de senador) para conseguir os outros R$ 300 mil. No outro dia ele marcou. Eu, ele (José Agripino) e Ximbica nos encontramos e eu peguei o dinheiro a juros também. Acho que era R$ 9 mil por mês de juros”, relatou o advogado.

Quanto ao atual presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira de Souza (PMDB), denunciado na semana passada pelo Ministério Público Estadual por corrupção passiva, Olímpio minuciou como foi paga a propina. Segundo ele, o pagamento de R$ 300 mil de propina ao deputado foi pago de forma fracionada na Assembleia Legislativa, na casa do parlamentar e no escritório do advogado. O valor, segundo Olímpio, teria sido pago para o deputado agilizar a tramitação do projeto de lei que instituía a inspeção veicular no estado.

A bem da verdade, o advogado e empresário George Olímpio decidiu colocar novamente merda no ventilador e aceitar a delação premiada porque se viu abandonado pelos demais que teriam participado do esquema.

Como se observa, corrupção, chantagem, agiotagem, tudo fechando o sinal dá um bom seriado.

A conferir!

 

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