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Editorial

De coelho, tartaruga e pavão. Não, não é jogo do bicho

– Para nós o Supremo Tribunal Federal não é uma instância de amigos, mas uma das instâncias mais importantes do nosso país porque quando há uma decisão do Supremo ninguém pode recorrer dela, disse o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao indicar no dia 7 de maio de 2003 o jurista Joaquim Barbosa para ministro da Suprema Corte.

Detalhe: segundo a Agência Brasil – agência de notícias oficial do governo federal – o presidente Lula contou com a ajuda dos ministros José Dirceu e Márcio Thomaz Bastos e do Advogado Geral da União, Álvaro Ribeiro, para selecionar três dos 400 nomes que, nos últimos cinco meses, à época, recebeu como sugestão para os cargos, aí incluído Joaquim Barbosa.

Passados dez anos, Joaquim Barbosa, que fora enaltecido por petistas por ser o primeiro negro a ocupar um cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal, agora é taxado de algoz, para dizer o mínimo, pelo fato de mandar para a cadeia o ex-ministro José Dirceu – veja, caro leitor, a peça que o destino pregou -, o deputado licenciado José Genoíno (PT-SP) e o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, Delúbio Soares, envolvidos no mensalão do PT.

Aliás, Barbosa é também taxado de “coelho” pela rapidez com que mandou prender os acusados no mensalão, de “tartaruga” porque até agora não resolveu a situação de Genoíno que tem problemas de saúde, e de “pavão” por querer aparecer muito, segundo entendimentos de alguns, conforme a charge de Frank, publicada hoje no blog – confira clicando aqui [1].

Fato é que o presidente do Supremo, ministro Joaquim Barbosa não está agradando ao PT em função das prisões citadas. Certamente se no rol de prisioneiros não estivessem principalmente os Josés – Dirceu e Genoíno – a repercussão contrária não seria tão grande assim. Delúbio Soares seria apenas mais um a ser preso.

Contudo, se noticia que o mensalão tucano poderá ser julgado ainda no primeiro semestre de 2014. Segundo apurou a Folha, essa é a expectativa no gabinete do ministro Luís Roberto Barroso, o relator do processo no STF. Diretamente consultado, Barroso evitou comprometer-se com prazos. “Vou julgar o mais rápido que o devido processo legal permitir”, disse.

O mensalão tucano, segundo a descrição do Ministério Público Federal, foi um esquema de desvio de dinheiro de empresas públicas de Minas Gerais para financiar a reeleição do então governador Eduardo Azeredo (PSDB) na eleição de 1998. Apesar de os fatos descritos terem ocorrido antes, o caso só veio a tona depois da denúncia do mensalão petista (2005). Foi quando o nome do empresário Marcos Valério de Souza surgiu como um dos operadores do esquema petista. Valério também seria o pivô do esquema mineiro.

Fica a pergunta: se o STF agir da mesma forma – o que se espera – como está agindo com os mensaleiros do PT mandando pra cadeia quem tem culpa no cartório, os ministros receberão o mesmo tratamento que Joaquim Barbosa está recebendo agora de petistas e de pessoas contrárias as posições do jurista? Barroso, relator do mensalão mineiro, dependendo do que ele vier a colocar em seu relatório, vai virar um mártir? Para os tucanos, também dependendo da posição do ministro, ele poderá ser um algoz tipo Barbosa é para os petistas.

Fato é que como bem disse o presidente Lula ao nomear Joaquim Barbosa para o STF o Supremo não pode ser visto como uma instância de amigos.

A conferir!

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