De investigador a investigado
O presidente da Câmara Municipal de Natal Edivan Martins designou nesta quinta-feira (30) os três vereadores que irão compor a CEI (Comissão Especial de Inquérito) que vai apurar as obras inacabadas da gestão do então prefeito Carlos Eduardo Alves. São eles: Assis Oliveira, Aquino Neto e Albert Dickson.
Mas como pode o presidente do Legislativo municipal indicar um vereador que está sob investigação do Ministério Público, caso de Albert Dickson, para fazer parte de um colegiado que vai apurar supostas irregularidades ocorridas na gestão passada? Qual a lisura que esse edil terá para apurar possíveis desmandos?
Sim, porque segundo se sabe, o MP investiga irregularidades na contratação da clínica Oftalmodonto Center Ltda que presta serviços à Secretaria Municipal de Saúde. A Promotoria de Justiça já requisitou, inclusive, à SMS cópia de todos os contratos atuais e antigos de prestação de serviços firmados com a clínica em questão que segundo o documento do Ministério Público, pertence ao vereador Albert Dickson. Ele é um dos beneficiados, como prestador de serviços da Oftalmodonto Center Ltda, de três contratos com a SMS, assinados nos últimos dois anos e que renderam à clínica, até janeiro deste ano, cerca de R$ 743 mil.
Como pode um vereador ser designado para fazer parte de um colegiado, se a clínica da qual é sócio será também investigada por outra Comissão, desta vez a CEI dos Contratos, que vai investigar denúncias de irregularidades em contratos firmados pela prefeitura de Natal?
É difícil entender isso. A menos que a estratégia do presidente da CMN, que faz parte do partido da prefeita Micarla de Souza (PV), e portanto seu aliado, seja a de inibir as investigações da CEI dos Contratos, que prefiro acreditar que não seja mesmo isso.