Desconfio da parte do pé na bunda que os políticos não entenderam
Na quarta-feira (26) publiquei Editorial aqui no blog sob o título: “Qual a parte do `pé na bunda´dos corruptos os políticos não entenderam?” . Tirando a palavra “corrupto”, que essa a classe política já entendeu – pelo menos se espera – , prova é a aprovação do Senado Federal do projeto de lei que altera o Código Penal para aumentar a punição para corrupção e tornar esse tipo de delito crime hediondo, considerado de maior gravidade, desconfio que a classe política não entendeu ainda, ou finge não entender, que o povo não quer discutir política-partidária nas ruas. O povo quer discutir políticas públicas e cobrar o direito de cidadania plena.
Enquanto governo e oposição ficam se debatendo sobre se deve ser um plebiscito ou um referendo para saber se a sociedade quer uma reforma política, as ruas já disseram isso. Repito que nem precisava nenhum nem outro. Queremos sim uma reforma política ampla e irrestrita, que aliás há muito deveria ter saído do papel.
Contudo, talvez tenha sido justamente a Copa das Confederações o estímulo a mais para que as pessoas fossem às ruas protestar.
Garantir à população sistemas de saúde e educação eficazes e combater a corrupção com punições exemplares são tarefas de todo governo, independentemente de Copas do Mundo. Mas no Brasil foi preciso um evento esportivo internacional com gastos de milhões dos cofres públicos para transbordar a gota d´água no copo dos brasileiros.
Essa é a parte do pé na bunda que os políticos ainda não entenderam, independente de ser governo ou oposição.
Francamente, as ruas do Brasil estão se enchendo de protestos todos os dias e a classe política preocupada numa reforma política que não fez até agora e querem saber o que a sociedade acha disso. Aliás, se brincar os políticos vão votar essa reforma nestes dias. Basta a sociedade pressionar.
Bom que se diga que após pressão das ruas a agenda prioritária do Senado incluiu na pauta 16 propostas em tramitação na Casa nas áreas de saúde, educação, combate à corrupção, mobilidade urbana, participação popular, segurança e pacto federativo. O mesmo deve ser feito pela Câmara, que já rejeitou esta semana a PEC 37, que restringia o poder de investigação do Ministério Público.
Que tal entrar numa dessas pautas a tão propalada reforma política? Que nem precisava, basta nós brasileiros assinarmos a proposta de projeto de lei de reforma política de iniciativa popular encabeçada pelo MCCE (Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral) e OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) que provocaria os nossos parlamentares, que agora andam trabalhando muito, a se debruçar sobre o assunto.
Charge: Nani