Difícil o PT do RN lançar candidato ao governo
A direção estadual do Partido dos Trabalhadores no Rio Grande do Norte cogita da legenda lançar candidatura própria ao governo do estado nas eleições do próximo ano, tendo preferência pelo deputado estadual Fernando Mineiro. A deputada federal Fátima Bezerra, neste caso, sairia candidata ao Senado. Não resta dúvida dois excelentes quadros. Ambos parlamentares com atuação de destaque tanto na Assembleia Legislativa quanto na Câmara Federal. No entanto, não creio nesta possibilidade. Seria um risco muito grande e o PT já tem experiências em algumas eleições majoritárias para o governo do estado em que não foi bem sucedido.
Neste caso, com um agravante: se fosse confirmada uma chapa tendo Mineiro como candidato ao governo e Fátima ao Senado, se ambos perdessem, o que não é impossível, o PT do Rio Grande do Norte deixaria de contar com dois grandes parlamentares que ficariam sem mandatos por pelo menos quatro anos. Outro argumento, é que na atual legislação eleitoral a formação de uma aliança partidária, dependendo dos partidos que a compõem, é de fundamental importância para o espaço a ser ocupado no programa eleitoral. Hoje o palanque eletrônico no rádio e na TV faz a diferença.
É claro que o PT está ainda analisando o quadro político-partidário com vistas as eleições do próximo ano. As conversas preliminares já começaram. Preferencialmente o PT está conversando com os ditos partidos de esquerda, como o PCdoB e que formam a base aliada do governo Dilma Ruosseff. Já tem agendado uma conversa também com o PSB. Quanto ao PMDB, aguarda o partido do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, e do senador-ministro, Garibaldi Alves, deixar o divã com o dilema de “ser ou não ser governo”, no caso no Rio Grande do Norte cujo partido tem indicações no governo Rosalba Ciarlini (DEM).
Mas, um outro porém se coloca nas pretensões de alianças do PT. Se o governador pernambucano Eduardo Campos e presidente nacional do PSB sair mesmo candidato à Presidência da República, a vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria (PSB), é o nome do partido para fazer palanque para Campos no Rio Grande do Norte e, neste caso, o PT potiguar ficaria “impedido” de compor aliança com os socialistas, já que o projeto maior do partido de Lula é a reeleição da presidenta Dilma Ruosseff, conforme sempre destacam o deputado estadual Fernando Mineiro e a deputada federal Fátima Bezerra.
Daí as complicações no xadrez político papa-jerimum não serem tão simples assim de serem resolvidas. Restaria, neste caso, uma aliança do PT com o PSD do vice-governador Robinson Faria, único candidato ao governo do estado já declarado. O PSD acaba de desembarcar no governo petista com a indicação do empresário Afif Domingos para ocupar a Secretária Nacional da Micro e Pequena Empresa, cargo esse com status de ministro. Aí, Faria seria o candidato a governador e Fátima continuaria na condição de candidata ao Senado. Não acredito nesta possibilidade.
Fato é que em qualquer das situações a deputada federal Fátima Bezerra é sim candidata ao Senado. A aliança de consumo hoje do PT do Rio Grande do Norte, digamos assim, é com o PMDB, com o ministro Garibaldi sendo o candidato a governador ou Henrique, e Fátima tentando a senatória. Aliás, em caso de Eduardo Campos não ser mesmo candidato a presidente, já se tem uma chapa em formação nos laboratórios políticos para o governo do estado: Garibaldi ou Henrique candidato ao governo tendo como companheira de chapa a deputada Márcia Maia (PSB) e Fátima Bezerra para o Senado. No palanque, nomes como a presidenta Dilma Ruosseff, Lula e até mesmo o próprio Eduardo Campos. A conferir!