É bom Robinson tirar seu “pônei maldito” da chuva
O vice-governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria, em vias de fundar o PSD no estado, comprou uma briga com dois pesos pesados da política potiguar. Falo do senador José Agripino Maia, presidente nacional do DEM, e do ministro da Previdência, senador licenciado pelo PMDB, Garibaldi Alves Filho. Com o primeiro, Robinson comprou a briga devido as investidas em políticos democratas para se filiarem ao futuro partido que comandará no estado. Com o segundo, pelo processo de reeleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, que havia sido enterrado no fim da legislatura passada com o compromisso do PMN, partido comandado hoje por Robinson Faria, e do presidente da Casa, deputado Ricardo Motta (PMN), liderado de Robinson, de fazerem o deputado Walter Alves, filho de Garibaldi, o futuro presidente do Legislativo estadual. Como o compromisso foi quebrado, a perrenga com Garibaldi está feita.
A menos que o PSD não vingue no Rio Grande do Norte, e que mesmo com a reeleição da Mesa Diretora que deverá ser aprovada em Plenário, Walter Alves seja o futuro presidente da Assembleia Legislativa, Robinson Faria pode voltar as boas com os dois caciques da politica papa-jerimum. Sabe-se que o projeto de Robinson é se candidatar ao Senado em 2014 e pra isso, claro, quer fortalecer suas bases eleitorais com um partido forte na mão – caso do PSD do prefeito paulistano Gilberto Kassab que deverá sair candidato a governador de São Paulo. Caso isso ocorra, é provável que a “lua de mel” entre Robinson Faria e os dois senadores – que terão ainda mais quatro anos de mandato pela frente a partir de 2014 – volte a boa.
É claro que Robinson, na qualidade de vice-governador quer o apoio da governadora Rosalba Ciarlini (DEM) e do senador José Agripino, e quiçá, até do senador-ministro Garibaldi Alves, para o seu projeto político, até porque deverá ter uma concorrente forte, a ex-governadora Wilma de Faria (PSB), adversária ferrenha dos dois parlamentares. Mas, pra isto ocorrer será preciso que a paz volte a reinar no seio do governo. Caso contrário, com o PSD criado no estado e com a cooptação de políticos do DEM para integrá-lo, além do filho de Garibaldi Alves não estando no comando da Assembleia Legislativa em 2014, é bom Robinson Faria tirar o seu “pônei maldito” da chuva.
No caso específico da reeleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa – ja falei isso uma vez e vou repetir – foi um projeto do casuísmo, isto é, da subordinação do interesse geral ao caso particular, como um princípio para elaboração de leis eleitorais, geralmente evidenciadas por alterações pontuais de curto prazo e de curta duração, sendo assim uma afronta aos comandos fundamentais do processo legislativo.