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Editorial

Eduardo Cunha não me representa

Apesar de ser o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) não me representa e acredito até que este é o pensamento, senão da unanimidade dos brasileiros, mas certamente da maioria. Sob os holofotes da “Câmara Itinerante”, Cunha tem percorrido algumas cidades brasileiras para “debater” a reforma política e o pacto federativo. Mas não é bem isso que se tem observado.

Nas últimas semanas, o presidente da Câmara foi alvo de protestos em São Paulo e Porto Alegre. Ontem foi a vez de João Pessoa e Natal. Aliás, na capital paraibana logo no início dos trabalhos, a sessão chegou a ser suspensa a fim de que as galerias fossem esvaziadas. A audiência, com a presenca de Cunha, só foi retomada cerca de meia hora depois.

Eduardo Cunha tem seguido calendário de visitas as capitais brasileiras, como parte do projeto “Câmara Itinerante”. No entanto, estas visitas estão gerando mais protestos do que propriamente uma discussão em torno do que está sendo proposto pelo projeto, ou seja, a reforma política e o pacto federativo. Certamente mais pelas posições polêmicas desde a sua eleição para a presidência da Câmara.

Não só isso: o nome do deputado foi citado no depoimento do policial federal Jayme de Oliveira Filho na Lava Jato. Jayme fazia entregas de dinheiro pelo doleiro Alberto Youssef. O policial afirmou que teria levado valores ao parlamentar em sua casa no Rio e o Supremo Tribunal Federal vai investigar a denúncia.

Eduardo Cunha leva a fama ainda de ser racista e homofóbico, além, claro, de fisiologista bem ao perfil do PMDB, partido ao qual é filiado. Por todos estes comportamentos e atributos que lhes são conferidos, repito, Eduardo Cunha não me representa. A “Câmara Itinerante” pode até dar holofotes a ele, mas a filosofia do projeto está sendo apagada pelos protestos contra a sua pessoa.

Um presidente da Câmara dos Deputados que tem que se submeter a suspensão de uma audiência pública devido a sua presença, caso de João Pessoa, e a ter que entrar pela porta lateral de uma Assembleia Legislativa, caso de Natal, devido aos protestos contra os seus posicionamentos políticos, não merece ser chamado de representante do povo.

 

 

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