Entregaram a chave do galinheiro a raposa
Quando a presidenta Dilma decide entregar a coordenação política de seu governo ao vice-presidente Michel Temer, do PMDB, é porque a coisa está feia mesma, a ponto de entregar a chave do galinheiro a raposa.
Ora, todos sabemos que o PMDB adora um cargo. Não à toa a briga dentro do partido, por cargos, evidentemente, tem até prejudicado a indicação do ex-presidente da Câmara, Henrique Alves (RN) para ocupar um cargo de ministro de Estado.
Agora, Michel Temer é designado para coordenar a área política do governo. Era tudo que os peemedebistas queriam. Se a presidenta já era refém do partido, agora, então, está mais do que nunca. É certo dizer que o PMDB mais do que nunca se sente dono do governo e com força para decidir os rumos do Planalto.
Querer dizer o contrário é querer tapar o sol com a peneira. O governo Dilma e por tabela o PT se tornaram reféns do partido mais fisiologista que existe na política brasileira. Bateu o DEM, antigo PFL, filho do PDS e neto da velha Arena, e por sua vez bisneto da antiga UDN. Hoje o PMDB, que já foi MDB um dia, do saudoso Ulysses Guimarães, só vive das lembranças de um partido que lutou bravamente contra a ditadura militar.
O papel do PMDB dos dias atuais é o de dar “sustentação política” ao governo da hora para manter a tal da governabilidade. O vice-presidente da República, Michel Temer, vai representar bem isso como coordenador político do governo.
Henrique Alves, que é amigo pessoal de Michel Temer, já deve ter encomendado o paletó da posse para sentar na cadeira de ministro. O leitor dirá. Mas, Barbosa, no meio do caminho tem uma pedra chamada Renan Calheiros (PMDB-AL), que vem a ser presidente do Senado e que anda impedindo o sonho de Henrique ser ministro.
Direi que com Temer na coordenação política do governo isso, certamente, será fácil de ser contornado. Não esqueçamos que Henrique agora tem dois amigos que o querem como ministro de Estado: Michel Temer e, claro, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Cacifes maiores do que estes impossível.
Resta saber agora como será a condução do processo para empossar Henrique Alves como ministro de Estado. Temer já está com a chave da porta do galinheiro. Cunha deve abrir esta porta.
A conferir!