FHC falando soa como blefe, mas…
Se é blefe ou não ao defender que o mensalão mineiro – suposto esquema de financiamento ilegal da campanha à reeleição do então governador Eduardo Azeredo (PSDB) – deve ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso levantou uma questão importante do ponto de vista da seriedade da corte suprema. Ou seja: assim como o mensalão do PT o mensalão tucano tem e deve ser investigado.
O modelo do mensalão tucano teve o mesmo modus operandi, para usar uma linguagem policial, que o mensalão petista. Daí se fazer necessário que o STF investigue também o mensalão mineiro. Elogiar o Supremo pelas investigações ocorridas no mensalão do PT e esquecer que antes houve o mensalão tucano é como vestir uma calça curta, onde as pernas ficam de fora.
O ministro Joaquim Barbosa, hoje presidente da corte suprema, levado a condição de mártir do Brasil na qualidade de relator do processo do mensalão petista por muitos brasileiros, precisa justificar essa referência. Se houve realmente o mensalão petista, da mesma forma houve o mensalão tucano. Antes mesmo de querer investigar o ex-presidente Lula, pelas denúncias de Marcos Valério, Barbosa deveria se preocupar com o mensalão tucano.
Não que defenda a não investigação do ex-presidente Lula, mas é preciso também investigar os tucanos. A fala de FHC soa como blefe, mas por se tratar de um ex-presidente da República filiado ao PSDB merece que o Supremo coloque a lupa também sobre a tucanada. Não sendo assim e se Lula for mesmo investigado parece uma campanha contra o ex-presidente para evitar que ele possa novamente se candidatar à Presidência da República, que ao que parece estão levando ele a se motivar a isso.
O Brasil, é verdade, está sendo passado à limpo. Mas esse “à limpo” tem que ser dos dois lados da moeda sob pena do Supremo está vendo apenas um lado. Repito: assim como o mensalão petista, o mensalão mineiro foi do mesmo jeito. Daí as investigações terem que se voltar também para os tucanos. A conferir!
Charge: Marco Jacobsen