Foi preciso uma ameaça de greve para o governo entender
No Brasil parece que as reivindicações só são atendidas com greve ou ameaças de paralisação. Pelo menos é o que se tem observado nos últimos tempos. Veja, caro leitor: bastou os policiais militares ameaçarem uma paralisação para esta terça-feira (22) que a área de segurança pública do governo do Rio Grande do Norte tratou logo de fazer uma reunião para discutir as reivindicações dos PMs, ainda por cima num final de semana no meio de um feriadão.
Com receio da greve dos policiais militares a cúpula da Segurança Pública do Rio Grande do Norte se reuniu para apresentar o resultado da reunião entre a governadora Rosalba Ciarlini e a câmara temática da segurança. Resultado: o governo garantiu a ampliação nos quadros da Polícia Civil e o encaminhamento de lei que trata sobre promoção dos praças da PM e Corpo de Bombeiros à Assembleia Legislativa. Menos mal!
Foram precisos, no entanto, 10 anos para o Estado entender que os praças militares precisam ser promovidos assim como ocorre com o corpo de oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. É verdade que não se pode culpar única e exclusivamente o governo Rosalba, que é o governo da hora, mas também os governantes que a sucederam. Mas a bomba caiu no colo da Rosa e é ela, enquanto governadora, que teria que dar uma solução ao caso. Como se trata de ano de eleições e ainda por cima com uma ameaça de greve dos policiais, como ocorreu na Bahia onde o número de homicídios aumentou consideravelmente, a resposta as reivindicações veio agora, embora que tardiamente.
É preciso entender que tanto a reivindicação dos policiais civis que querem que o governo contrate mais pessoal – já inclusive passados em concurso – como a reivindicação dos praças da Polícia Militar que querem a implantação da promoção, são mais do que justas. O estado cresceu em população e no caso da Polícia Civil é normal que se cobre um maior efetivo. Com relação a Polícia Militar há anos só se verifica promoções entre o corpo de oficiais. Os praças, muitos deles há anos na tropa, mesmo que quisessem seguir carreira nada os estimulava tendo em vista que não passam de um soldado-raso, como se diz no jargão dos quarteis militares.
O que se espera agora é que o governo cumpra com o prometido sob pena dos policiais civis e militares deflagarem mesmo uma greve e o Rio Grande do Norte se tornar uma nova Bahia, com a segurança que já não é lá essas coisas toda ficando completamente inerte.
A conferir!